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Peter Shilton não perdoa a “mão de Deus”: “Maradona é o melhor de sempre mas não o respeito”

O guarda-redes inglês no Mundial de 86 não esquece que Diego Maradona nunca pediu desculpa pelo golo marcado com a mão

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Sebastian Frej/MB Media

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Peter Shilton participou em três campeonatos do mundos, dos quais saiu com uma folha disciplinar imaculada. Ganhou duas vezes a Taça dos Campeões Europeus, antecessora da Liga dos Campeões, pelo Nottingham Forest, desaparecido das elites há muito tempos. Aos 70 anos, Shilton assiste ao futebol de fora, refletindo sobre o que vê.

“Após 30 anos de futebol, há algumas coisas de que me orgulho verdadeiramente,” disse Shilton ao “The Guardian”. “As três que realmente importam são os jogos mais competitivos na no futebol profissional porque isso mostra a minha longevidade. Ter 125 internacionalizações por Inglaterra também e a outra é o recorde de menos golos concedidos em campeonatos do mundo, juntamente com o Fabien Barthez. No meu caso, seria mesmo recorde não fora um certo ‘Mr Maradona’.”

Peter Shilton tem noção de que, apesar de todos os recordes e sucessos, é muitas vezes lembrado como a “vítima” do golo marcado com a mão por Diego Maradona nos quartos-de-final do Mundial de 86, no México. “Para mim, é lembrado pelas razões erradas. Eu fiz tudo o que podia e a famosa imagem mostra que estou mais próximo da bola do que a sua cabeça. Foi por isso que ele empurrou a bola com a mão. Há sempre pessoas a dizer ‘ele antecipou-se’ mas ele não se antecipou. Ele fez batota. Por isso, estar associado a esse momento…”.

O gesto que poderia facilmente aliviar a dor de Shilton nem seria assim tão difícil. Um pedido de desculpa do argentino. “Seria suficiente para a seleção inglesa. Não sou apenas eu. A seleção inteira sofreu porque ele fez batota. As pessoas queixam-se do VAR hoje em dia mas teria sido fantástico para nós tê-lo naquele momento. Ele admitiu de forma esquiva, dizendo que era ‘a mão de Deus’ mas nunca pediu desculpa ou mostrou qualquer arrependimento.”

Shilton recusou um convite de Maradona, há uns anos, para aparecer ao seu lado num programa de televisão. “Eu cresci a respeitar o jogo. Vi outros jogadores fazerem batota, admitir e pedir desculpa. Mas a sua atitude explica porque há animosidade.” O antigo guarda-redes diz que houve já inúmeras tentativas de juntar os dois veteranos para que fizessem as pazes. “Mas ele não pede desculpa e eu recuso-me a apertar-lhe a mão. Eu digo sempre que ele é o melhor jogador de sempre mas não o respeito como desportista e nunca o respeitarei.”