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Hakan Sukur: de estrela nos relvados a taxista nos EUA

É o maior goleador de sempre da Turquia e um dos maiores da Europa no seu tempo. Atualmente vende livros e conduz táxis nos Estados Unidos e diz que a culpa é de Erdogan

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De acordo com a entrevista que deu ao jornal alemão “Welt am Sonntag”, Hakan Sukur, de 48 anos, viu a vida dar uma grande e preocupante volta desde que se retirou dos relvados, em 2008. Sukur afirma que um conflito com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o expôs a ameaças de morte, falsas acusações e o impediu de aceder aos seus fundos.

“Não tenho nada, Erdogan levou tudo: o meu direito à liberdade, a minha liberdade de expressão e o direito ao trabalho,” afirmou na entrevista ao jornal germânico, citada pela BBC.

Sukur marcou 51 golos em 112 internacionalizações pela Turquia entre 1992 e 2007. Fazia parte do conjunto turco que acabou em terceiro lugar o Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. O antigo jogador de Blackburn Rovers, Parma ou Inter de Milão passou a maior parte da carreira no Galatasaray, onde é um dos maiores ídolos de sempre. Ainda hoje Sukur mantém o recorde de golos na Superliga Turca.

Depois de se retirar do futebol, Hakan Sukur entrou na política. Em 2011, foi eleito deputado pelo partido de Erdogan e ocupou o seu lugar no parlamento turco. Mas foi também associado a Fethullah Gulen, um académico islâmico turco, rival de Erdogan, a quem o presidente turco atribuiu as culpas por um golpe sangrento em 2016.

Sukur, que já vivia nos Estados Unidos na altura, terá denunciado o golpe mas foi ainda assim descrito pelos média estatais do seu país como “um membro fugitivo da FETO (Organização Terrorista Fetullah)”. Nessa notícia, é dito que o antigo internacional vive numa casa de três milhões de dólares e possui um café em Palo Alto, “a zona mais cara da baía de S. Francisco”.

No entanto, Hakan Sukur conta uma história menos divertida: “Eu mudei-me para os Estados Unidos, inicialmente abri um café na Califórnia, mas era constantemente visitado por pessoas estranhas,” contou ao “Welt am Sonntag”. “Agora conduzo para a Uber e vendo livros.”

A antiga estrela já disse que as suas casas, os seus negócios e as contas bancárias foram todos tomados pelo governo de Erdogan. Do mesmo modo, nega qualquer crime: “Ninguém parece ser capaz de explicar qual foi o meu papel nesse golpe. Eu nunca fiz nada ilegal, não sou um traidor ou um terrorista.”

Esta não é a primeira vez que Sukur fala do assunto. Em 2018, já tinha dito ao “The New York Times”: “É o meu país; adoro o meu povo, apesar das ideias que eles têm sobre mim serem distorcidas pelos média controlados pelo governo.”

Esta história vem juntar-se a outras que colocam questões sobre a conduta de Erdogan e do seu governo. Em 2018, Mesut Ozil foi criticado por posar numa fotografia com o presidente turco, inclusive pela Federação Alemã de Futebol, cujos responsáveis disseram que “o futebol e a DFB defendem valores que não são suficientemente respeitados pelo senhor Erdogan”. Entretanto, Erdogan foi padrinho de casamento de Ozil.