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Sapatilhas da Nike podem ser um bocadinho rápidas demais

O organismo mundial do atletismo está a contemplar a possibilidade de banir as Nike Vaporfly por estarem a ajudar atletas de elite a quebrar recordes da maratona

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Patrik Lundin

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Os relatos são contraditórios acerca da possibilidade de proibição das sapatilhas Nike Vaporfly. O jornal inglês “The Times” diz que a probabilidade de o organismo mundial responsável pelas provas de atletismo de pista e estrada proibir o uso do modelo em competição é grande. Por outro lado, o compatriota “The Guardian” aponta para uma limitação nos “upgrades” para versões futuras, por exemplo, a quantidade de espuma que a Nike pode colocar na sola.

Isso pode querer dizer que as Vaporfly Next – disponíveis atualmente – seriam aceitáveis, mas as que Eliud Kipchoge usou quando terminou uma maratona assistida em menos de duas horas, em outubro, não seriam autorizadas. A decisão da World Athletics deve ser anunciada no fim do mês, adianta o “The Guardian”.

De qualquer forma, o caso aponta os holofotes ao modelo da Nike, que se tem tornado cada vez mais controverso desde 2017, quando a Nike lançou a primeira versão, Vaporfly 4%, assim denominada porque a marca descobriu que conseguia poupar 4% de energia aos atletas. As sapatilhas usam uma placa de fibra de carbono envolta de espuma para capturas melhor a energia de cada vez que o pé toca no chão e impulsionar o atleta para a frente em cada passo, tornando as sapatilhas mais eficientes em distâncias longas. De acordo com Ryan Hall, antigo maratonista americano, este calçado oferece uma vantagem mecânica injusta.

Qualquer que seja a decisão da World Atletics, é pouco provável que influencie as vendas da Nike. As sapatilhas de performance para maratonistas são uma pequena fração do negócio de 39 milhões de dólares. A Nike tem também uma tradição de transformar proibições em operações de marketing, como aconteceu quando a NBA proibiu Michael Jordan de usar a primeira versão das suas famosas sapatilhas porque estas violavam a regra que obrigava o jogador a usar calçado que combinasse com a cor da camisola.