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A última liga de futebol: como a Bielorrússia ganhou com a paragem global

A liga bielorrussa é a única resistente no mundo do futebol e acaba de assinar 10 novos contratos de direitos televisivos

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SERGEI GAPON

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Numa altura em que o futebol profissional estacionou num impasse de que não sairá tão depressa, os fãs que não conseguem viver sem ver a bola a rolar na relva dos seus televisores estão a virar-se para a insólita Primeira Liga Bielorrussa, a única que permanece de pé e em movimento.

Assumidamente uma das competições de futebol menos glamorosas da Europa, a liga bielorrussa raramente tem representantes na fase de grupos da Liga dos Campeões, mas, segundo o jornal inglês “The Guardian”, parece estar a atrair adeptos estrangeiros esfomeados de bola, o que lhe está a permitir fazer novos contratos chorudos com os direitos de transmissão.

Os responsáveis pela competição já disseram que não têm qualquer intenção de adiar jogos ou cancelar a época que começou no início de março. Apesar de as suas equipas serem perfeitas desconhecidas, à exceção do Bate Borisov e do Dínamo de Minsk, a liga está a aproveitar o momento para ganhar notoriedade. A Federação Bielorrussa de Futebol já conseguiu expandir a transmissão dos seus jogos para 10 países, como a Rússia, Israel ou a Índia. “É uma situação inédita,” disse Alexander Aleinik, responsável da federação.

Uma das operadoras a transmitir os jogos bielorrussos é a ucraniana Sport-1. Apesar de ter iniciado as transmissões no final do ano passado, antes da crise do Covid-19, devido ao facto de muito dos jogadores da liga bielorrussa serem ucranianos, os espetadores têm sido surpreendidos pela qualidade dos jogos.

“Não esperávamos que tivessem uma liga decente,” disse Viktor Samoilenko, da Sport-1. “Não sabíamos porque não mostrávamos os jogos.”

Até agora, a Bielorrússia reportou 94 casos de Covid-19, mas pouco tem sido feito para evitar o contágio. O controverso presidente do país, Alexander Lukashenko, no poder desde 1994, desvalorizou a necessidade de distanciamento social e gabou-se de continuar a jogar hóquei no gelo e abraçar os colegas. “É melhor morrer de pé do que viver de joelhos,” disse o político a uma cadeia de televisão local. “Não há vírus aqui no rinque. Eu não os vejo.”

Yuri, adepto do Dínamo de Minsk, acredita que o atual interesse pela liga do país, pode abrir portas para que os jogadores bielorrussos assinem por grandes equipas europeias. Yuri espera que, mesmo depois do regresso dos jogos no resto da Europa, os fãs continuem a assistir ao campeonato da Bielorrússia. “Eles não vão ver apenas a liga inglesa ou a italiana, mas também a bielorrussa, de tempos a tempos.”