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Redondo recorda o calvário: “Punham-me na sala de operações, com a perna para cima e esvaziavam-na de sangue com um torniquete"

Fernando Redondo era um ídolo do Real Madrid quando foi vendido ao AC Milan. E a carreira deu uma volta pouco agradável

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David Rawcliffe - EMPICS

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Quando Fernando Redondo deixou o Real Madrid, muitos estranharam, outros tantos organizaram manifestações para evitar a sua saída. Mal aterrou em Milão, foi amaldiçoado por uma lesão que lhe marcou a carreira, deixando-o mais de dois anos sem jogar. A própria reabilitação foi uma tortura, como conta o jornal espanhol "Marca".

Redondo saiu de Madrid no ano 2000, precisamente na altura em que Florentino Péres chegava à presidência do clube. “Florentino tinha-se comprometido a trazer Figo, durante a campanha. Ele custava muito dinheiro e o AC Milan oferecia 18 milhões de euros por mim. Era muito dinheiro por um futebolista de 31 anos,” conta.

Enquanto os representantes do AC Milan e do jogador se reuniam no Santiago Bernabéu, lá fora, à porta do estádio, 200 pessoas manifestavam a sua revolta e pediam a Florentino Péres que não vendesse o seu ídolo. O presidente recusa-se a assinar o documento de venda sem que Redondo o assine primeiro, para que fique patente que é o argentino quem deseja sair.

“Fiquei um pouco ofendido por quererem vender-me. Por outro lado, tratava-se do AC Milan de Berlusconi, que chamava por mim,” admite o antigo jogador.

No entanto, Redondo desconhecia ainda o que o iria atormentar. “Cheguei a Milão e o sistema de treino era diferente, com muita carga física e muito trabalho de esforço. Eu não disse nada, um pouco por orgulho, mas estava muscularmente morto,” reconheceu Redondo mais tarde. Antes de se estrear, destruiu o joelho.

“Rasguei os ligamentos cruzados do joelho direito e não pude jogar um jogo sequer durante dois anos. Ou seja: fui para Milão e o primeiro jogo que fiz já lá estava há quase dois anos, uma loucura,” lembra.

O caminho até à recuperação foi um calvário. O relato da ascensão do argentino à superfície parece um filme de terror. “Punham-me na sala de operações, com a perna para cima, esvaziavam-na de sangue com um torniquete e injetavam fármacos. O risco era o de que alguma coisa chegasse ao coração, podia ter um problema,” conta Redondo.

“Também me levaram a Knokke, uma estância balnear no Norte da Bélgica. Só que no Inverno… Entrava no Mar do Norte e corria com água até à cintura,” prossegue.

Finalmente, em 2003, voltou ao Santiago Bernabéu ao serviço do AC Milan, para uma partida da Liga dos Campeões. O público recebeu-o com uma ovação monumental reservada às lendas do clube.