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Paulo Fonseca: “Segundo os jornais, quero contratar muitos jogadores em Portugal, o último foi o Soares”

O português que treina a Roma em tempo de crise profunda conversou com o jornal “A Bola” sobre futebol e sobre a vida em Itália

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MAURIZIO BRAMBATTI

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Treinador num país em crise profunda devido à Covid-19, Paulo Fonseca vai preparando o futuro da Roma e confessa que não tem acompanhado o futebol português “como gostaria”. Numa entrevista ao jornal “A Bola”, o antigo treinador do FC Porto fala à distância do que se joga por cá e do que se vive em todo o mundo.

A situação em Itália

“A situação em Roma está mais ou menos controlada. No Norte de Itália está tudo mais complicado. (…) Em Roma, não se vê ninguém na rua. As pessoas estão a cumprir o que lhes foi pedido.”

Contra os adiamentos parciais dos jogos (as equipas do Norte não jogavam, ao contrário das do Sul)

“Achava que devia parar toda a gente. Não era justo estarem a jogar algumas equipas e outras não.”

Perspetivas de regresso aos relvados

“É difícil falar nisso. (…) Agora fala-se de junho e julho. (…) Os números dizem-me que o regresso à competição brevemente será difícil. Algumas equipas têm jogadores infetados. (…) De uma forma otimista, podemos pensar que voltaremos em junho, mas é uma visão muito otimista.”

Treinar a Roma

“É um grande desafio. (…) Itália é um dos campeonatos mais difíceis, senão mesmo o mais difícil do ponto de vista tático. (…) A cidade era algo que me aliciava. Conjugou-se uma série de coisas que me levou a escolher a Roma. E não a questão financeira”.

Jogadores em Portugal para reforçar a Roma

“Bem, segundo a imprensa, tenho muitos! O Soares foi o último. Neste momento não. Não penso em nenhum jogador do campeonato português.”

Acompanha o futebol português?

“Não acompanho da forma como gostaria. Sempre que posso vejo o Paços de Ferreira, o Aves, o meu SC Braga.”

O futebol português está estagnado?

“Acontece o mesmo nos outros campeonatos, são sempre os mesmos a lutar pelo título. O que acontece em Portugal é que as equipas não têm capacidade para comprar os melhores jogadores. Então é preciso inventar, formar jogadores. Isso muda a qualidade do modelo de jogo das equipas portuguesas. Mas sinto cada vez mais que os treinadores apostam numa atitude corajosa. (…) Há, pelo menos, a intenção de construir. Há uns anos havia equipas que nem essa intenção tinham. O objetivo era retardar ao máximo o golo adversário. (…) Do que vi ultimamente, o que mais tenho gostado é da ideia de jogo do Rúben Amorim no SC Braga.”

Lidar com a pressão

“Lido bem com a pressão. Aqui é enorme. Uma pressão enorme de um grande clube, mas se não a quiser ter, não posso ambicionar treinar este tipo de clubes.”

O crescimento nos clubes por onde passou

“A maior riqueza que tirei foram as relações pessoais que construí com os meus presidentes, diretores, médicos, fisioterapeutas, funcionários e jogadores. (…) O que vivi no FC Porto foi de extrema importância para os dias de hoje. Uma grande aprendizagem que hoje me ajuda a lidar com a pressão de forma diferente.”

A experiência no FC Porto

“Desenvolvi métodos para lidar com a pressão. Quem não consegue lidar com ela, está condenado ao insucesso. A crítica é algo que não me incomoda. Se há uns anos incomodava, hoje não.