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Briatore: “A única merda que houve com Alonso foi ele ter ido para a McLaren”

O antigo chefe da Benetton e da Renault faz 70 anos e dá uma entrevista em que fala de Schumacher, Alonso, da Ferrari e de Bernie Ecclestone, que vai ser pai aos 89

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Tom Shaw

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Flavio Briatore está afastado das boxes da Fórmula 1. Quis o destino que cumprisse 70 primaveras na primavera do vírus. O empresário italiano, responsável pelo grande sucesso da colorida equipa Benetton na década de 90 e pela ascensão imparável de Michael Schumacher, deu uma entrevista em jeito de balanço aos compatriotas do “Corriere della Sera”. Fala dos sete mundiais conquistados em 18 anos de F1 e comenta o facto de ter ganho dois campeonatos com Schumacher e outros dois com Fernando Alonso.

Há um episódio mais recente que Briatore ainda recorda vivamente: o acidente de Nelson Piquet Jr em Singapura, em 2008. Não tanto pelo aparato do momento mas pela controvérsia que gerou. A equipa Renault, na altura liderada pelo italiano, foi acusada de ter ordenado ao seu piloto que batesse de propósito contra as barreiras da pista para beneficiar Fernando Alonso, o outro piloto do conjunto francês. “Culparam-me de tudo mas fui logo ilibado por um tribunal de Paris”.

Falando de Fernando Alonso, Flavio Briatore diz não ter qualquer ressentimento em relação ao asturiano, exceto num momento. “A única merda foi ter ido para a McLaren,” refere. Briatore lembra que avisou Alonso de que “para Ron Dennis (chefe da equipa McLaren na altura) Hamilton seria sempre o protegido,” prosseguindo na análise à carreira do espanhol: “O grande arrependimento é a Ferrari, perdeu dois campeonatos do mundo por questões alheias à sua vontade. Em 2010, foi muito difícil, nunca tinha visto o Fernando chorar. A história da Fórmula 1 teria mudado.”

Outro piloto incontornável na carreira de Briatore na F1 é Michael Schumacher. O italiano admite que, numa equipa ideal, gostaria de ter tido o alemão ao lado de Ayrton Senna. “Logo a seguir viria o Fernando. (…) É um ‘rottweiler’ e comete muito poucos erros,” acrescenta.

Quanto aos pilotos da Fórmula 1 atual, Briatore não tem dúvidas em eleger o pódio ideal: “Hamilton, a seguir Verstappen e Leclerc”. E como é óbvio para um italiano, ainda que a sua história esteja ligada a outros emblemas, comenta a situação da Ferrari, que não ganha um mundial de pilotos desde 2007, com Kimi Raikkonen. “Ainda não percebo como é que a Ferrari não ganha: tem o dinheiro, tem a história, tem boa mecânica, creio que falta um aglutinante de tudo,” conclui.

Olhando para a Fórmula 1 atual de uma forma global, Briatore acha que lhe “falta um chefe” e defende que devia ser uma competição mais nivelada para que tivesse mais emoção.

Por último, o italiano fala da celebração dos 70 anos de vida. Confessa que o seu amigo, Bernie Ecclestone, o conforta e que “vai ser pai aos 89 anos de idade”. “Pensei que era uma partida quando me disseram que ele ia ter outro filho. As pessoas fazem julgamentos mas agora Bernie sabe que o filho fará companhia à mulher quando ele se for,” remata Briatore.