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“Quando te dizem que o melhor é ires embora porque se calhar vão deixar de pagar ordenados, o que é que fazes? Fazes as malas e vais embora”

Andrés Madrid está em Portugal há 16 anos. O argentino jogou no Sporting de Braga e no FC Porto, entre outros, e estava a treinar o Marinhense até há pouco tempo

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MIGUEL RIOPA

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Foi jogador de Sporting de Braga, FC Porto e Nacional e, depois de uma curta passagem pelo futebol angolano, regressou a Portugal para jogar no Mirandela e acabar a carreira no Vianense. Andrés Madrid é argentino mas já se sente português, “mais do que muitos portugueses”. Tem 38 anos e é agora um jovem treinador à procura de oportunidades, finda a relação com o Marinhense. O jornal “Record” esteve à conversa com ele.

Um Andrés argentino, português que passou por Braga

Já vou fazer 16 anos em Portugal. Devo ser mais português do que alguns portugueses. (…) Casei por aqui, tenho duas filhas e vivo em Viana do Castelo, porque a minha mulher tem um negócio e também optei por não sair porque as meninas já têm os amigos das escolas.”

A adaptação a Portugal

“É muito fácil para um sul-americano, até ao nível da cultura e dos hábitos das pessoas. O povo português, no geral, é muito simpático e sabe receber bem quem vem de fora. Foi o meu caso, vim em 2004 e por aqui estou.”

O futebol parado, duplamente no caso pessoal

As coisas até não estavam a correr mal, mas entretanto o investidor saiu do clube e não havia forma de suportar as despesas. Foi-me comunicado que o clube (Marinhense) teria de dispensar os meus serviços. Não foi algo desportivo, mas o futebol hoje em dia é um pouco assim. Falta o dinheiro, acabam logo com os projetos.”

Uma novidade que não é bem nova

Atenção que isto não é exclusivo do Marinhense, pois já há muitos anos que acontece isto em muitos clubes. Os investidores entram com algum dinheiro, dão muita esperança às pessoas, mas depois quando as coisas não estão a correr bem desportivamente, ou falta o dinheiro, vão embora com a mesma velocidade a que chegaram. Às vezes basta um objetivo estar em causa que acaba logo tudo e, claro, no meio disto tudo os treinadores e os jogadores acabam por ser muito penalizados. Quando te dizem que o melhor é ires embora porque se calhar vão ter de deixar de pagar os ordenados o que é que fazes? Fazes as malas e vens embora!”