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Redução salarial. “Futebolistas sentem-se como se fossem o Anticristo”

O representante da associação dos jogadores em Inglaterra nas negociações com os clubes diz que estes andam à procura de “cortes extra”

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Visionhaus/Getty

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Bobby Barnes representa os jogadores na dura negociação com os clubes da Premier League para a descida provisória dos vencimentos, enquanto a pandemia durar e a bola estiver parada.

Barnes considera que estão a criar uma imagem dos atletas semelhante ao do “Anticristo”. Os jogadores têm sido fortemente criticados por se recusarem a aceitar os termos que têm estado a ser propostos para baixarem os ordenados. A PFA, associação dos jogadores profissionais que funciona como sindicato, mantém uma posição firme em relações às condições atuais.

A Premier League continua a discutir com os jogadores e, de acordo com o “Daily Mail”, terá feito uma proposta com uma redução de 30% dos vencimentos dos atletas durante o período da pandemia. A proposta terá sido feita numa videoconferência no passado sábado.

A liga inglesa terá apresentado vários cenários, sendo que o pior seria o da impossibilidade de recomeçar a competição, o que significaria o pagamento de 762 milhões de libras aos operadores televisivos. De acordo com a organização da principal competição de futebol em Inglaterra, um corte de 30% cobriria a maior parte desses danos.

Bobby Barnes disse ao jornal “The Times” que não quer “que os jogadores sejam demonizados”. “Há desportistas com ordenados muito mais altos. Os nossos jogadores são insignificantes quando falamos de basebol, NFL, basquetebol. É como se os nossos jogadores comprassem Rolls-Royces dourados todos os dias.”

O secretário britânico da saúde, Matt Hancock, deitou um pouco mais de gasolina para a fogueira quando disse: “Tendo em conta os sacrifícios que muitas pessoas estão a fazer, incluindo alguns dos meus colegas do NHS (serviço nacional de saúde britânico), que fizeram o derradeiro sacrifício de ir trabalhar, apanharam a doença e morreram, penso que a primeira coisa que os futebolistas podem fazer é dar o seu contributo, aceitar um corte nos salários e desempenhar o seu papel”.

O governante foi imediatamente criticado por nomes como Gary Linker, Wayne Rooney e Gary Neville. Bobby Barnes respondeu dizendo que os jogadores estão dispostos a “desempenhar o seu papel”, mas acrescentando que há suspeitas de que o corte nos ordenados possa ter efeitos a longo prazo. “Os jogadores, com razão, estão desconfiados e dizem que os clubes vão adotar esse modelo para o futuro,” afirmou.

Longe das discussões, os capitães dos clubes da Premier League criaram um fundo solidário para ajudar na guerra contra o novo coronavírus. Chama-se #playerstogether e foi uma ideia do capitão do Liverpool, Jordan Henderson.