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Alípio Matos: “Quando parei e percebi a situação em que estava, dei por mim a pensar: ‘estou lixado, vou morrer’”

Alípio Matos, um dos mais experientes técnicos do futsal português, contraiu Covid-19. Esteve duas semanas no hospital e descreve os dias difíceis por que passou

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Nome incontornável do futsal português, Alípio Matos, de 62 anos, acabou por ser a primeira personalidade do desporto no nosso país a sofrer na pele os efeitos do novo coronavírus. No dia 25 de março, deslocou-se ao hospital de Cascais, após uma semana com sintomas estranhos e um primeiro resultado negativo do teste à Covid-19. Duas semanas de tortura mental depois, dia 8, saiu do hospital. Enfrentaria com sucesso uma pneumonia que tentara levar-lhe a vida.

Tentando manter-se calmo, Alípio Matos está agora em casa, com a mulher. Mas, numa entrevista ao jornal “A Bola”, admite que o coração salta quando se lembra da doença. “Nas estatísticas da Direção Geral de Saúde apareço no grupo dos curados. (…) A médica de família já me ligou e fiz novo exame que deu negativo. Vou agora fica em casa, de quarentena, por prevenção.”

“Comecei por ter alguns sintomas, poucos. Não tinha tosse, só falta de apetite. Andava com temperaturas entre os 37 e os 38 graus, sentia vómitos após comer e aguentei-me uma semana assim.” Depois de um teste negativo, sentindo que os sintomas se mantinham, ligou para a linha Saúde 24. “Aconselharam-me a ir ao hospital. (…) Fizeram o teste e deu positivo,” conta o antigo treinador do Benfica e, mais recentemente, do Belenenses.

Não foi fácil ligar com a notícia de que o teste tinha dado positivo. “Senti-me a morrer. Estava completamente sozinho. Depois lá tive de arranjar força e dar a notícia à minha filha. Nem consegui ligar à minha mulher. (…) Fica-se de rastos, é um inferno. É psicologicamente arrasador, dramático.”

Depois de vencer uma pneumonia que lhe atacou os dois pulmões, Alípio Matos considera que teve a sorte de chegar ao hospital no início do processo. “Se tivesse ido um ou dois dias depois, provavelmente teria sido fatal, a doença é galopante,” conta.

O experiente técnico chegou ao hospital numa fase difícil. “O Hospital de Cascais é ótimo mas, quando lá cheguei, numa fase inicial da doença, ainda não estava preparado. Fiquei num daqueles sofás que estão nos quartos (…) toda a noite, porque nem camas havia disponíveis. (…) Quando parei e percebi a situação em que estava, dei por mim a pensar: “estou lixado, vou morrer…”.