Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

A irmã de Badu, jogador do Hellas Verona, foi assassinada no Gana e ele está fechado em casa, em Itália

Emmanuel Badu lamenta não poder estar ao lado da família neste momento e não tem dúvidas: “A vida é mais preciosa do que o futebol”

Tribuna Expresso

Alessandro Sabattini

Partilhar

Emmanuel Agyemang Badu é um médio ganês, atualmente ao serviço do Hellas Verona, de Itália. Se o país onde joga é um dos mais afetados pela pandemia Covid-19, o de origem é uma realidade violenta, que já afetou diretamente o próprio atleta.

Em março, Hagar, a irmã de Emmanuel, foi assassinada na cidade de Berekum. Desde o terrível acontecimento que o futebolista não pode ir a casa ver a família, devido à pandemia, como o próprio contou a John Bennett, da BBC.

Para Badu, 2019 e 2020 foram “os anos mais duros” da sua vida. "Quase morri, tive imensas lesões e perdi a minha irmã de uma forma muito dolorosa,” conta. “É muito difícil para mim e para a minha família. O tipo que matou a minha irmã está em fuga,” lamenta o jogador, que vive sozinho em Verona. “A minha namorada e o meu filho não estão comigo, e eu estou no centro da pandemia.”

Numa situação difícil, o jogador não esquece quem o tem ajudado: “Tenho de agradecer à minha família e aos meus amigos, à nossa equipa e ao meu agente”. “O meu treinador tem ligado todos os dias para ver como estou, bem como o ‘team manager’ e o presidente,” acrescenta.

Há 34 dias fechado num quarto, Badu admite que tem de “lidar com isso, (…) ser forte mentalmente e viver com isso” porque, para já, não pode fazer mais.

A verdade é que antes ainda da situação provocada pela Covid-19, Emmanuel esteve às portas da morte. Foi em agosto passado que, em plena pré-época, “tudo a correr bem”, o jogador foi ao ginásio e regressou a casa com dificuldades respiratórias. “A princípio, não lei a sério, pensei que fosse cansaço,” admite.

No dia seguinte, à noite, viu-se obrigado a procurar ajuda. “Às 2 da manhã liguei para o médico que, felizmente, estava acordado. Enviou um fisioterapeuta que estava mais perto e me disse que tínhamos de ir imediatamente para o hospital.”

Acabaram por lhe descobrir um coágulo nos pulmões. “Tinha de deixar de jogar futebol durante três ou quatro meses. Foi um tempo dramático (…) mas nalguns momentos como este tens de ser forte,” reagiu, acrescentando: “Se o fisioterapeuta e o médico não me tivessem visto, teria sido um desastre”.

Entretanto, mesmo à distância, Badu não deixou de pensar no país natal: “Comprei algumas máscaras, luvas e gel para um hospital em Kumasi, para a ala das mulheres e das crianças”. Também Berekum, cidade onde jogou, recebeu a sua ajuda, tal como a aldeia onde nasceu. “Os números estão a crescer, pelo que na próxima semana tenho de enviar novamente mais coisas para os hospitais.”

Apesar de admitir a frustração em relação à época desportiva, Badu refere: “A vida é mais preciosa do que o futebol, por isso, agora, temos de cuidar de nós próprios”.

Sobre o regresso à competição, Badu diz que não sabe de nada. “Disseram-nos para ficar em casa e treinar, é a única coisa que posso fazer agora,” diz. "Depois veremos quando pode começar o futebol."