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O “The New York Times” escreveu sobre o Benfica, Rui Pinto e Paulo Gonçalves. O clube reagiu: as críticas são motivadas pela inveja

O jornal americano publicou um artigo em que critica a nomeação de um juiz adepto do clube da Luz para o caso Rui Pinto. Um porta-voz do Benfica diz que o clube nunca cometeu atos que “não fossem perfeitamente legais”

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O hacker mais famoso de Portugal faz notícia no estrangeiro, mesmo em tempo de pandemia. A nomeação do juiz Paulo Registo, assumido benfiquista, para o seu processo, atravessa o Atlântico e ocupa espaço num dos mais importantes órgãos de comunicação social dos EUA.

O “The New York Times” publicou esta quarta-feira um artigo em que não se limita a analisar o facto de o magistrado ser adepto de um clube implicado no Football Leaks, mas vai ao ponto de questionar a importância de “juízes, procuradores e mesmo o primeiro-ministro de Portugal” serem benfiquistas. Põe-se em causa até que ponto esse fator pode influenciar “casos que afetam os interesses do clube”.

O jornal falou com o advogado de Rui Pinto: "Não nos sentimos confortáveis. Gostaríamos que a pessoa que vai julgar fosse alguém que não estivesse comprometido com o Benfica".

O clube da Luz reagiu dizendo que as críticas são "motivadas por inveja pelos anos de sucesso" das águias. O porta-voz do Benfica garantiu também que não é verdade que o Benfica tenha qualquer influência indevida na sociedade portuguesa e que o contrário serve como "alimento diário da internet e das redes sociais".

Os norte-americanos procuraram também saber a opinião da ex-eurodeputada Ana Gomes. A comentadora política utilizou uma expressão que o próprio jornal sublinha: “a captura do Estado”, dando-lhe o significado de açambarcamento do poder máximo de um país. Para Gomes, essa “captura” é feita “através da captura de pessoas que estão numa posição institucional no próprio Estado e um dos pilares principais é o sistema de justiça.” Ana Gomes acrescenta: “Se há juízes capturados ou que não se importam de parecê-lo, temos um problema".

A notícia refere ainda o facto de Paulo Registo ter apagado várias publicações nas redes sociais que o associavam ao Benfica depois de saber que iria liderar o julgamento. O “The New York Times” lembra também que o mesmo juiz integrou o trio que liderou o processo Paulo Gonçalves, ex-assessor jurídico do Benfica.

Outro dos ouvidos pelo jornal americano foi Mário Figueiredo, antigo presidente da Liga Portuguesa. O ex-dirigente falou de uma forma mais global: “É preciso compreender a história portuguesa para perceber a importância do futebol na nossa cultura, na política, mesmo na nossa vida quotidiana”. Figueiredo terá contado ao “NYT” que vários presidentes dos três maiores clubes tiveram várias vezes problemas com a justiça, mas nenhum foi condenado enquanto ocupava esse cargo.

Juiz do processo de Rui Pinto pede para ser afastado do caso. Defesa reage com "satisfação"

Paulo Registo avançou com o pedido de escusa. O juiz está nomeado para julgar o alegado “hacker” no processo em que é acusado de mais 90 crimes e agora será o a presidente do Tribunal da Relação de Lisboa a decidir se continua ou não com o caso. O magistrado também faz parte do coletivo que vai julgar o caso e-toupeira, mas aí não pediu para ser afastado