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Covid-19. Dois meses sem futebol levam a uma quebra de receitas de 400 milhões, segundo estimativa da Liga

De acordo com o organismo que gere o futebol profissional em Portugal é este o prejuízo pela paragem nas competições. A esperança reside no “Plano Marshall” da FIFA

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MIGUEL RIOPA

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O “Jornal Económico” publica esta sexta-feira uma notícia que dá conta da quebra de receitas de Liga Portuguesa de Futebol Profissional devido à pandemia. Se todos tínhamos já uma ideia de que este período de pausa nos jogos não iria significar coisa boa para os cofres das organizações e dos clubes, talvez não tivéssemos a noção dos valores redondos do “desastre”: 400 milhões de euros, numa estimativa da própria LPFP.

A Liga continua a trabalhar com os clubes que representam o futebol profissional em Portugal para tentar encontrar uma solução para a crise financeira. Deve ser hoje entregue ao Governo a proposta para retomar as competições no final de maio, embora à porta fechada, ou seja, sem a preciosa receita dos bilhetes, embora com outra que não lhe fica atrás: a das transmissões televisivas. Os clubes aguardam entretanto uma espécie de “Plano Marshall” da FIFA para o futebol que, segundo o “Jornal Económico”, pode ascender a centenas de milhões de euros.

Uma fonte oficial da Liga confirmou a estimativa avançada pelo “JE”. O principal prejuízo terá a ver com os cortes nos direitos televisivos, a principal fonte de receitas para a maioria dos clubes. Também a não-abertura do mercado de transferências a 1 de julho antecipa quebras significativas. Há ainda a questão da venda de bilhetes, do merchandising e dos patrocínios.

O secretário de Estado do Desporto e da Juventude, João Paulo Rebelo, confirmou ao “JE” que pediu às federações desportivas que “enviassem planos de retoma até esta sexta-feira”. O objetivo, segundo o governante, é “não deixar o desporto para trás”. As medidas devem ser “conhecidas até ao início de maio”.

Antes que os jogos regressem à relva, deve ser necessário um período de preparação desportiva de pelo menos 15 dias. É para isso mesmo que os clubes pretendem alertar a Liga e os próprios governantes. O regresso será decidido pelo Governo, com o calendário de desconfinamento gradual a anunciar no final deste mês.

O futebol representa atualmente 0,3% do PIB português. Só no futebol profissional, estarão neste momento a ser afetados mais de 4.000 postos de trabalho diretos.