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Futre: “Eu tinha 18 anos e ia para uma cidade de estudantes. Como é que eu ia chegar ao dia de jogo a 100 por cento?”

Paulo Futre admite que a ida para o FC Porto foi decisiva para a sua carreira e não apenas por questões competitivas. E aproveita para declarar a admiração por Madjer

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Peter Robinson - EMPICS

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A iniciativa “FC Porto em casa”, organizada pelos Dragões em tempo de confinamento, recebeu três vedetas da história do clube, campeões europeus em 1987: Futre, Madjer e Juary. Os antigos companheiros recordaram o feito histórico mas também outros momentos vividos em conjunto. Futre fez juras de amor a Madjer, um argelino que ninguém conhecia, cujo calcanhar mostrou ao mundo.

"Para mim, Maradona é Deus. Mas quando me perguntam o jogador mais completo com quem joguei… Madjer. Madjer, tinhas tudo! Pé direito, pé esquerdo, cabeça," disse Paulo Futre, que confessou ter ficado impressionado com o argelino mal o viu tocar na bola pela primeira vez. "Eu competia com o Juary a nível de velocidade e com o Madjer tecnicamente. Eu fazia a vírgula com o meu pé esquerdo, fácil, muito fácil. O Madjer? O Madjer fazia com os dois e mais do que isso, fazia a vírgula com os dois pés, tanto para dentro como para fora!”

Madjer retribuiu a admiração por Futre, colocando-o no patamar mais alto do futebol português: "Paulinho, para mim tu foste o melhor jogador de Portugal, de sempre. Eras um enorme jogador. Foi um prazer jogar ao teu lado. Sabias fazer tudo com a bola", referiu o argelino.

Durante a conversa, Paulo Futre falou também da sua mudança para o FC Porto em 1985, que terá sido "decisiva" para a sua carreira.

"Eu estava para ir para a Académica. Depois aparece o presidente Pinto da Costa e pronto... Com todo o respeito à minha mãe, às mulheres, às meninas... Eu tinha 18 anos e ia para uma cidade académica, de estudantes. Como é que eu ia chegar ao domingo, ao dia de jogo, a 100 por cento? Se não tivesse ido para o FC Porto talvez não me tivesse tornado no jogador em que me tornei", referiu.

O ex-jogador de Sporting, FC Porto e Benfica, entre muitos outros, disse mesmo que foi nos Dragões que aprendeu "a fazer amor". "O professor João Mota e os meus colegas mais velhos diziam para eu não fazer amor, ou sexo, como quiserem, dois dias antes do jogo. Se o jogo fosse ao domingo, sábado e sexta-feira não havia nada. A verdade é que levei esta lição até ao fim da minha carreira,” confessou.