Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

Livro mostra Mourinho capaz de salvar um colega em chamas

Nicolas Vilas reuniu as origens do “Special One” num livro que demorou dois anos a escrever

Tribuna Expresso

DeFodi Images

Partilhar

A personalidade e o trabalho de José Mourinho não deixam indiferentes os adeptos de futebol, seja qual for clube da sua paixão. Para o jornalista Nicolas Vilas, o momento-chave foi a chegada do português ao Chelsea e a ousadia de se auto-intitular o “Special One”. Isso e os 25 títulos conquistados ao longo da carreira. O resultado é um livro que explora as origens de Mourinho através de um trabalho de dois anos, com mais de 100 entrevistas.

Uma das surpresas que o livro nos reserva, contada pelo jornal “Record”, é o facto de Mourinho ter estado prestes a ser treinador do Sporting em dezembro de 2000. O setubalense iria suceder a Augusto Inácio. Estava tudo acordo com Luís Duque, à época presidente da SAD dos Leões. Foram os adeptos que o rejeitaram, como conta José Veiga.

"O Duque ia anunciá-lo no Sporting depois de um treino, mas adiou devido ao impasse e críticas dos adeptos. Depois tudo caiu por terra e eu estava com o Mourinho e ele só disse ‘Mas está tudo tolo?’ completamente irritado," revela Veiga.

Destino ou não, o caminho acabou por ser muito diferente. Mourinho seguiu pela A1 em direção ao Porto e, algum tempo depois, pôs-se a caminho de Gelsenkirchen, na Alemanha, para ganhar uma improvável Liga dos Campeões frente ao Mónaco. Marco Ferreira, que jogava no FC Porto de então, contou como Mourinho não ficou assim tão surpreendido com a vitória na prova: “Dizia que podíamos vencer a prova. E preparava os jogos como ninguém. Usava Powerpoints como ninguém e sabia tudo do adversário".

O livro, com o título “Mourinho: por detrás do Special One, da origem à glória”, recua até à juventude do português. Conta como era o Mourinho jogador. Há um episódio dramático no tempo em que, com 23 anos, era capitão do Vitória de Setúbal. Foi ele que conseguiu salvar um colega que não conseguia sair de um carro em chamas.

Durante alguns anos, um fantasma acompanhou o então jovem treinador. No Barcelona, como adjunto de Bobby Robson e mais tarde de Van Gaal, havia quem quisesse dizer que Mourinho era apenas “o treinador”. Hristo Stoichkov, então jogador do Barça, nega essa situação. "Chegou ao Barça e era o José. Alguém inventou que era tradutor, mas isso foi engano. Ele trabalhou no campo e sabia tudo. Foi nosso treinador e é um grande amigo," conta.