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Mário Jardel: “Os adeptos do Sporting devem estar muito tristes por estarem há tanto tempo sem títulos”

Chamavam-lhe “Super Mário”. Marcou 42 golos numa época e ajudou o Sporting a chegar ao título de campeão nacional. Fez ontem 18 anos que Alvalade provou a glória pela última vez

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Matthew Ashton - EMPICS

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18 anos depois do último campeonato conquistado pelo Sporting, o artilheiro de então, Mário Jardel, partilhou as recordações com o jornal “Record”.

Recordações de uma temporada com 42 golos

“Recordo-me que, principalmente, no meio de novembro foi muito puxado. (…) Caíamos na tabela e voltávamos a subir. No final da primeira volta, em dezembro, o Sporting conseguiu ficar à frente e dar aquela alavancada, no meio de janeiro e em fevereiro. Foi um ano espetacular. (…) O Sporting era uma equipa estável e eu encaixei bem ali. Entrei com o João Pinto, Niculae, Quaresma, Cristiano Ronaldo, que está num alto nível, vai para 20 anos. Os adeptos do Sporting devem estar muito tristes por estarem há tanto tempo sem títulos.”

Continua a acompanhar a liga portuguesa

“Falo com o Fernando Gomes, com o Rubens Júnior, que está a morar aí, e com o João Pinto. (…) Procuro estar informado, até para, quando vocês ligarem, eu saber alguma coisa [risos].”

O que mudou no futebol português

"No que diz respeito aos golos, não está melhor. Está muito mais físico, menos eficaz, com muitos jogadores caros de mais que produzem... de menos.”

A partilha da hegemonia de Benfica e FC Porto

“Se eu estivesse jogando até poderia ser [risos]. Mas, sim, são sempre os mesmos. No meu tempo, o Boavista foi campeão, antes tinha sido o Sporting e no ano anterior o FC Porto. Eu gostaria que também V. Guimarães e Famalicão pudessem ‘brigar’, porque aí as pessoas iam perceber uma mudança. Em 20 anos, depois de eu sair, é sempre o mesmo. Devia haver condições para um clube pequeno ganhar. Porém, também há que dar o mérito a FC Porto e Benfica, que conseguem construir boas equipas e estar sempre na luta pelo título. E o Sporting tem de voltar a ganhar o título o mais rapidamente possível, pois já passou muito tempo.”

Jardel em tempo de coronavírus

“Estou em casa. Agora, estou em casa. (…) Falo ao telefone, mato saudades, falo com os meus amigos sobre futebol, tentando indicar um jogador aqui, outro ali… (…) Estou a estudar, a fazer um curso de formação de “coach”, palestrante, com o Paulo Vieira, que é um “coach” motivacional. Tem a ver com autoestima. Estou a preparar-me para, futuramente, dar palestras em cursos de treinadores, no fundo, a preparar-me para o que vier pela frente.”

A passagem pela vida política

“Não quero falar sobre isso. Pelo amor de Deus… Deixei a minha marca. Serviu, acima de tudo, para eu aprender a como entrar na política. Se voltar, terá de ser por via do desporto ou da área social, para ajudar.”

O melhor para a sua carreira teria sido permanecer em Portugal e no Sporting

“Aí, não estava na minha consciência normal. Aí, não era o Jardel. Como falei: arrependi-me. Se pudesse voltar atrás, voltava. Hoje, estou super bem, foi um momento para esquecer e agora há que pensar no futuro.”

O regresso a Portugal?

“Não. Posso voltar a trabalhar como diretor, treinador ou supervisor da formação, levando jogadores do Brasil. Ou sendo embaixador do FC Porto ou do Sporting aqui. Porque essa é uma visão que eu tenho. Talvez possa encontrar aqui algum jogador diferente para o futebol português.”

Jorge Jesus a brilhar no futebol brasileiro

Não foi surpresa. Já se falava há muito tempo e foi concretizado. O homem chegou com ideias novas, com a sua filosofia de trabalho, implementou, deu certo, foi eficaz nas contratações e correu tudo bem.

Jesus vai continuar no Brasil

“Eu vou dar a minha opinião: eu vejo-o a continuar no Flamengo. O Flamengo fará tudo para ele ficar.”

O povo brasileiro em tempo de pandemia

“Não é só o povo brasileiro. É o mundo inteiro, mas o brasileiro é extrovertido, gosta de festa e está sentindo o impacto, embora haja quem não respeite o confinamento social. Muita gente não acredita, mas é verdade e, tanto é, que têm morrido milhares de pessoas no mundo. Eu queria que as pessoas metessem a mão na consciência e pudessem respeitar, para que essa epidemia acabasse rapidamente, para o bem de todos. Não vai ser fácil, porque as pessoas sentem grande ansiedade dentro de casa."