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Mourinho diz “sim” aos jogos à porta fechada: “É quase um serviço público”

Dono de muitas opiniões, José Mourinho tem estado calado desde o início da pandemia. O português reconhece a ignorância nessas matérias e defende que devem ser as autoridades de saúde a definir o caminho

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Com o futebol inglês parado, esquecidos os treinos controversos num parque em Londres, José Mourinho continua a preparar o regresso do Tottenham à competição. O treinador português comentou a situação atual ao jornal “Record”.

Uma das hipóteses mais faladas para que a bola regresse aos relvados é a de realizar jogos sem público, à porta fechada. Sobre isso, o treinador do Tottenham não tem dúvidas: “Eu digo que sim. Porque é uma maneira de colocar a indústria a funcionar. Por outro lado, é dar às pessoas aquilo de que elas tanto gostam. Diria que é quase… um serviço público. Quantos milhões neste mundo amam o futebol? Quantos milhões é que preferem estar em casa a ver futebol? Quantos milhões estarão a ver os jogos à porta fechada? É claro que cria algumas frustrações aos que gostam de ir aos estádios, pois essa é que é a essência do jogo. Obviamente para nós, treinadores e jogadores, a essência, o sonho e a motivação maior é jogar com os estádios repletos de adeptos. (…) Sou a favor do futebol à porta fechada, se assim tiver de ser, mas o mais importante é a definição das condições de segurança por parte das entidades que dominam a matéria. (…) Só deve haver futebol com o mínimo de condições, mas que têm de ser definidas pelas autoridades competentes ao nível da saúde".

Respeitando o facto de haver quem perceba mais do assunto do que ele, Mourinho não tem emitido opiniões desde que começou uma das fases mais complicadas da história do futebol e uma das mais dramáticas para a humanidade. "Por não perceber é que tenho estado calado desde o início. Recuso-me a emitir opinião sobre questões que transcendem o meu conhecimento. E há tantas contradições nas opiniões. Inclusivamente por parte de quem sabe do assunto, sejam cientistas, virologistas ou epidemiologistas. Ou outros que acham que percebem muito do assunto."

José Mourinho tem estado a orientar treinos individuais desde a passada segunda-feira, no centro de treinos do Tottenham, em Enfield. Há já várias semanas que Mourinho vem preparando o lento e incerto processo de retoma. “Desde que deixámos de poder trabalhar juntos, quando teve lugar o ‘lockdown’ em Inglaterra, tentámos nunca deixar de treinar e acompanhar os jogadores. No meu caso e dos meus assistentes, vivendo praticamente ao lado do centro de estágio, fazíamos de manhã a nossa corrida até lá, atitude que mantemos, e já nas instalações preparávamos o plano de trabalho para a semana, que fazíamos chegar a casa dos jogadores através da plataforma ‘Zoom’. Enquanto clube, procurou-se equipar os ginásios daqueles que os têm e ajudar a construir alguns nas moradias de outros que não tinham esse apoio. Já aos que vivem em espaços mais reduzidos, criaram-se as melhores condições possíveis para poderem trabalhar.”