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Miguel Garcia: “Hugo Viana e Beto são sportinguistas ferrenhos, fanáticos. E foi Frederico Varandas quem me curou uma lesão no tendão"

O herói de Alkmaar, que permitiu a passagem do Sporting à final da Taça UEFA, recorda essa noite, 15 anos depois, avalia o Sporting atual e conta as aventuras na Índia

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Nigel French - EMPICS

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A 5 de maio de 2005, o Sporting foi à Holanda perder mas apurou-se para a final da Taça UEFA, com um golo de Miguel Garcia. Depois de terminar a carreira na Índia, tornou-se gestor imobiliário. Está agora com 37 anos e recordou ao jornal “Record” os momentos passados em Alvalade.

O golo em Alkmaar, há 15 anos

“Apesar de não termos conquistado qualquer título, foi um ano espetacular. Dava gozo jogar, treinar. Estávamos supermotivados. Aquele momento foi o mais alto da minha carreira. Faz 15 anos. O número da minha camisola, por acaso, era o 15. É mais um motivo para celebrar esse golo (risos). (…) O meu filho mais velho já me pede para ver, pergunta por que é que eu não continuo a jogar (risos).”

Um golo e quatro pontos na cara

“Foi num canto contra nós. Eu queria atacar a bola, só que o Sá Pinto ganhou primeiro para tirar da área e acabou por acertar-me, já não me recordo se foi com o cotovelo ou com a mão, e abriu-me um corte por cima do lábio. Levei três ou quatro pontos, já nem sei! Até fui cosido a sangue frio no balneário ao intervalo.

10 anos no Sporting

“Quando cheguei ao Sporting com 14 anos já havia o Quaresma nessa equipa de iniciados. Havia o João Paiva. Havia o Marinho. Havia o Jaime Bragança. Era uma equipa recheada de grandes jogadores. (…) Mais tarde, com o Ronaldo na equipa, ele já era craque. Eu entrava em campo, na altura era o capitão da equipa de juniores, e pensava: ‘Temos aqui o Ronaldo, estamos tranquilos, porque mais cedo ou mais tarde ele vai marcar um golo ou dois.’ (…) Já se via que ele ia ser um grande jogador. Não dava para ver que ia ser um dos melhores do mundo, mas dava para ver que ia chegar rapidamente à primeira equipa.

A saída para a Reggina

“Eu até dezembro fiz mais ou menos os mesmos jogos do Abel. Mas em dezembro lesionei-me, no jogo em casa contra o Spartak Moscovo. Na mesma altura recebi uma proposta da Reggina. O Sporting não me deixou sair. Não quiseram renovar e pediram que esperasse até ao final da época. Mas eu queria resolver a minha vida. Não queria ficar à espera até ao final da época, sem saber para onde é que eu ia. A Reggina fez-me então outra proposta, para que eu assinasse de imediato e fosse para lá no final da época. Foi o que eu fiz. (…) O Sporting soube e a partir daí nunca mais joguei.

Comer búfalo em vez de vaca

“Em Mumbai não se come vaca. Então, o que é que se come? Búfalo! (risos). Eu já tinha comido búfalo algumas vezes mas daquela vez. Estava com um amigo português que me disse que a carne não lhe estava a saber bem. A mim estava. Comi o meu bife e o dele. À noite comecei a ficar maldisposto. Acabei num hospital, onde as divisões eram as nossas cortinas da casa de banho. As marquesas eram de madeira, nem um colchão almofadado. Ar condicionado nada, havia ventoinhas. E ao meu lado estava deitado um rapaz que tinha dengue. Só queria era ir embora dali! Mas correu tudo bem, lá se passou.

Hugo Viana e Beto

São pessoas que estão lá para dar o melhor e ajudar o Sporting. São sportinguistas ferrenhos, fanáticos. Ninguém mais do que eles quer ganhar um campeonato. Por isso, eu acho que será uma questão de tempo para que o Sporting consiga atingir os objetivos que certamente passarão por ser campeão.

Frederico Varandas

Foi ele que me ajudou a recuperar de uma lesão no tendão de Aquiles quando eu voltei da Índia. Ficámos com uma boa relação, de amigos.