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Beunardeau: “Estava a viver das minhas poupanças e eu tenho que pagar a casa, colocar comida na mesa”

O guarda-redes francês rescindiu com o Aves, último classificado da liga, alegando salários em atraso. Mantém-se por cá, a viver em Braga, preparando-se para um novo projeto. Não pensa voltar a França, para já.

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AFP Contributor

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Quentin Beunardeau foi o primeiro jogador do Aves a bater com a porta por ter salários em atraso. Numa entrevista ao jornal “O Jogo”, o francês explicou a decisão com a perda de confiança na SAD do clube. No dia 7 de abril, Beunardeau rescindiu o contrato pondo em primeiro lugar o bem-estar da família, especialmente da filha. Na hora da despedida, mostrou-se desiludido.

O momento da decisão

“Apresentei a rescisão no dia 7 de abril, mas alguns dias antes já tinha conversado com o meu advogado e empresário para ver se podia sair, porque a situação no clube era muito complicada. Estava a viver das minhas poupanças e eu tenho que pagar a casa, colocar comida na mesa e não quero que falte nada à minha filha. Foi uma decisão muito complicada, mas foi a melhor para o meu futuro.”

A SAD diz ter pago antes de receber a rescisão

Recebi uma grande parte dos salários em atraso, mas não recebi tudo. Nunca pensei que o clube fosse pagar, porque a partir do momento em que te dizem que vão pagar, mas depois não o fazem, perdes a confiança na direção. (…) Eu já não tinha condições para fazer o meu trabalho. Estava no meu direito de rescindir.

A desilusão

“Claro que saio desiludido. Gosto muito do clube, dos colegas e dos adeptos, só que é chato quando dás o máximo e não recebes nada. O Aves deu-me uma grande oportunidade de jogar em Portugal, mudou a minha vida e se não fosse isso não sei onde estaria agora. Vou continuar a ver os jogos do Aves e quero que eles fiquem na I Liga. Serei sempre avense.”

A relação entre os salários em atraso e o último lugar no campeonato

“Nunca faltou concentração para os jogos. Estávamos sempre focados na permanência e os salários em atraso não são justificação. Porém, quando não recebes, por muito que tentes pensar apenas no futebol quando vais para o jogo, acabas sempre por pensar noutras coisas.”

O áudio em que Estrela Costa diz a Wei Zhao, presidente da SAD, que este "vendeu três jogos"

"Nunca na vida um jogador do Aves se venderia. Conseguimos a permanência ganhando no campo e não porque andámos a comprar jogos."

O reatar do futebol

“Para mim é um pouco perigoso, mas se a Direção-Geral de Saúde disser que podem voltar... Não sei se há condições para se jogar em certos estádios. Eu teria um pouco de medo, mas faria o meu trabalho.”

Uma mensagem para os avenses

"Muito obrigado pelo apoio que dão ao clube e pelo apoio que me deram. Ajudaram-me muito e fizeram parte da minha família. Boa sorte para o futuro do Aves. O futebol é pequeno e espero reencontrar-vos.”

Iker Casíllas

"É o meu ídolo."