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“Bellamy apertou-me os tomates”, “o Pepe não era de confiar”, o “Lehmann era miserável”: ex-ábitro define top 5 dos mais irritantes

Mark Clattenburg apitou nos maiores palcos do futebol mundial, entre os quais o que deu o título de campeão europeu a Portugal. Lidou com todo o tipo de feitios. Uns mais difíceis do que outros. Conheça os cinco mais complicados

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ROBERT GHEMENT / EPA

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Teve de lidar com os melhores jogadores do mundo, que podem ser os mais difíceis de aturar. Agora, o ex-árbitro Mark Clattenburg, que apitou finais de campeonato europeu e Liga dos Campeões, deu ao “Daily Mail” a lista dos cinco mais irritantes futebolistas que lhe passaram pelo julgamento.

O inglês, que é atualmente colunista no mesmo jornal, começa por referir o galês Craig Bellamy, e percebe-se porquê. “Eu sabia que a minha relação com ele passava por momentos difíceis quando ele me apertou os tomates no túnel do Etihad. (…) Foi uma brincadeira (…) mas já havia uma história”.

A história tinha a ver com uma expulsão num jogo entre o Manchester City e o Bolton. “Eu tinha-lhe mostrado um amarelo por palavras – podia ter sido vermelho, a linguagem era má – e depois mostrei-lhe um segundo amarelo por mergulhar na piscina, mas depois vi as imagens e era penalti. Eu estava errado. Ele ficou maluco.”

Na opinião do ex-árbitro, a reputação de Bellamy jogou muitas vezes contra ele. “Acho que não lhe davam o benefício da dúvida. (…) Mas ele era um pesadelo para os árbitros, a maioria de nós pensava o mesmo.”

Outra “pera doce” do futebol britânico chamava-se Roy Keane. Ao comentar as dificuldades com o irlandês, Clattenburg começa por pôr achas na fogueira: “Tenho de dizer que trabalhei com o Roy para a ITV no Mundial de 2018 e ele foi um cavalheiro”. Mas o ex-juiz faz questão de acrescentar: “É a prova de que os jogadores podem ser muito diferentes dentro e fora do campo”.

Mark Clattenburg lembrou o episódio em que Keane se chegou junto de um árbitro e lhe gritou na cara. “Essa tentativa de provocar os árbitros define como ele era (…) mas eu penso que isso também vinha de Alex Ferguson, (…) para colocar mais pressão na próxima decisão do árbitro”. “Não se podia confiar no Roy,” admite Clattenburg.

O terceiro elemento do “top 5” – sem qualquer ordem em particular – cruzava-se poucas vezes com o árbitro em campo, mas isso não quer dizer que fosse mais fácil de controlar. O guarda-redes alemão Jens Lehmann, que jogou no Arsenal, era, segundo Clattenburg, “um daqueles tipos miseráveis que se queixava de tudo e de todos”. “Se a bola era redonda, ele queixava-se. Se a bola era branca, ele queixava-se.”

“Era um grande guarda-redes mas penso honestamente que isso era uma fraqueza nele e as outras equipas percebiam isso. Chegavam-se a ele nos cantos e ele reagia empurrando os adversários,” considera o ex-árbitro. “Ele provavelmente teve sorte em não ser mais vezes expulso e provocar penaltis, como aconteceria agora.”

De seguida, alguém que conhecemos bem. O internacional português Pepe habituou-nos tanto a cortes com classe como a situações menos abonatórias para a sua reputação. Mark Clattenburg teve o seu momento com o luso-brasileiro na final da Liga dos Campeões de 2016. O próprio árbitro foi criticado por ter posto a língua de fora no momento em que Pepe rebolava no chão. “Eu pensava para mim: ‘Quão frágil és tu para um homem tão grande?’”.

Clattenburg conta: “Ele fê-lo duas vezes no mesmo jogo, tentando fazer com que o jogador do Atlético de Madrid fosse expulso. Talvez outro árbitro caísse na esparrela mas eu tinha feito o trabalho de casa e, apesar de não devermos julgar antecipadamente, eu conhecia a sua mentalidade (…) Era outro jogador em quem não se podia confiar (…) Não era um jogador fácil de arbitrar, tinhas de estar sempre alerta”.

O último da lista é o nigeriano John Obi Mikel. “Eu escolhi-o por causa do incidente durante um jogo entre o Chelsea e o Manchester United, em 2012, quando ele me acusou de fazer um comentário racista, o que não era verdade e eu fui mais tarde absolvido pela federação inglesa.”

O antigo árbitro lamenta que “ele nunca tenha pedido desculpa, o que é uma desilusão”. “Podia ter arruinado a minha vida,” acrescenta. “Deixei de gostar de arbitrar durante algum tempo depois disso mas não podia desistir porque tinha uma família para sustentar e nenhuma outra carreira para seguir.”

De acordo com Clattenburg, Mikel nem terá ouvido o alegado insulto, que lhe terá sido contado por outro conhecido do futebol português, o brasileiro Ramires, ex-Benfica, que “não falava inglês”. Outros jogadores do Chelsea terão pedido desculpa “mas nada da parte do Mikel”. Juiz e jogador reencontraram-se num amigável da Nigéria nos EUA, antes do Mundial de 2014, ocasião soberana para terem feito as pazes. “Eu teria recebido bem a atitude mas não aconteceu nada, tristemente,” lamenta o antigo árbitro inglês.