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Capitão do Watford contra o regresso imediato da Premier League: “O que é que eles vão fazer? Tirar-me dinheiro? Já estive falido antes"

Troy Deeney tem sido dos mais críticos em relação ao regresso da competição futebolística em Inglaterra. “Nem sequer falo de futebol neste momento; falo sobre a saúde da minha família e é tudo,” diz o atleta

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Alex Broadway

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O capitão do Watford, Troy Deeney, avisou a comissão que coordena o regresso imediato da Premier League que não porá o futebol acima da saúde da sua família. O jogador de 31 anos veio a público para expressar a sua oposição ao regresso da liga inglesa durante a pandemia atual que já ceifou 33.000 vidas no Reino Unido. Deeney disse que preferia estar falido do que voltar ao futebol nestes tempos sem precedente.

Deeney foi um dos capitães da Premier League que discutiram o apoio social aos jogadores junto da PFA (a associação que junta os jogadores profissionais do Reino Unido), dos dirigentes da liga e dos governantes do país. Ele e o colega do West Ham, Mark Noble, foram os mais interventivos.

Apesar da conversa, Deeney parece ter saído pouco aliviado e afirmou mesmo numa conversa no Instagram: “Nem sequer falo de futebol neste momento; falo sobre a saúde da minha família e é tudo. (…) O que é que eles me vão fazer? Tirar-me dinheiro? Já estive falido antes, por isso, não me incomoda”.

O jogador do Watford mostrou-se também preocupado com a falta de distanciamento social que existiria em campo, em comparação com o conselho que o Governo deu ao resto da nação. Deeney acrescentou: “Eles falam em não jogar na presença dos adeptos até 2021. Por isso, se é não seguro para os fãs estarem num estádio porque seria seguro para os jogadores?” O jogador deu o exemplo da proximidade entre atletas na marcação de cantos, por exemplo, com “18 ou 19 elementos na pequena área”.

O capitão do Watford lembrou também: “O Governo diz que temos de voltar ao trabalho a partir de 1 de junho mas não podemos cortar o cabelo até meados de julho”. Deeney considerou também que pode haver desperdício de testes quando o país precisa tanto deles. “Estamos a fazer estes testes todos para que os futebolistas regressem ao trabalho e a NHS (serviço nacional de saúde) e os trabalhadores da saúde na linha da frente não têm testes suficientes.”

Antes de terminar, Deeney admitiu que gostaria de regressar ao futebol, mas apenas quando as circunstâncias forem as mais apropriadas.