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Aymen Tahar andou pelo mundo e passou pelo Boavista. Kyle Walker fê-lo virar as costas a Inglaterra

O jogador anglo-argelino formou-se no Sheffield United e nunca pensou deixar o rico futebol inglês. Acabou a correr o mundo, com sucesso relativo. Passou duas vezes por Portugal, com a camisola do Boavista

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Gualter Fatia

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Aymen Tahar tem viajado à volta do mundo na carreira de futebolista. Portugal foi uma das paragens. Por cá vestiu a camisola do Boavista por duas vezes, a primeira por empréstimo do Steaua de Bucareste, em 2016, e a segunda entre 2017 e 2019, contratado ao Gaz Metan, também da Roménia.

O inglês de origem argelina despertou a atenção do “The Guardian” por causa de uma ideia: a de que a sua carreira internacional talvez não tivesse acontecido se não se tivesse cruzado com um companheiro do Sheffield United chamado Kyle Walker.

O médio encontrou Walker depois de um ano sem jogar. Tinham jogado juntos apenas uma vez, depois de Tahar ter chegado à equipa principal do Sheffield United, vindo da academia. Walker falou do ex-colega a um amigo agente de jogadores foi aí que começou a aventura.

Tahar tem estado à experiência inúmeras vezes, em busca de um clube desde que saiu do United em 2010. Foram tantas as viagens ao estrangeiro que ele já não se lembra de todas mas três dos clubes onde treinou foram Qarabag, Al-Nasr e Rizespor. Depois de várias rejeições, Tahar jogou por uma equipa amadora, o Staveley Miners Welfare, para se manter em forma e desfrutar do futebol enquanto estudava direito e criminologia na Sheffield Hallam University.

O agente amigo de Walker chamou-o para um treino gelado no inverno londrino. Dali não saiu nada, aparentemente, até que algumas semanas mais tarde recebeu um telefonema do Gaz Metan Media. O clube romeno, que tinha estado na Liga Europa, chamou-o para treinar e, dois dias depois, ofereceu-lhe um contrato de quatro anos.

Scouts had taken notice, though, and a couple of weeks later the phone rang with the offer of a trial at Gaz Metan Medias. The Romanian club, who had reached the Europa League qualifiers at the start of the season, offered Tahar a four-year deal after two days of training.

A vida correu-lhe bem no pequeno clube romeno. Acabou por ir para o Steaua Bucareste, reconhecidamente o maior clube do país. “É inacreditável o tamanho do Steaua,” diz Tahar “Em termos comparativos, são maiores do que o Manchester United e provavelmente 60% do país apoia o Steaua.”

Depois de um mau jogo, o conhecido dono do Steaua, Gigi Becali, disse aos jornalistas que Tahar nunca mais jogaria pela equipa. O inglês achava que até estava a jogar bem mas o excêntrico Becali discordava. Ainda ficou mais algum tempo na capital romena mas acabou por ser emprestado ao Boavista, onde ficou um ano, antes de experimentar a liga japonesa, regressar à Europa para jogar em Itália, no Crotone, e regressar à Roménia, ao Gaz Metan.

“Não me arrependo de nada,” diz, embora não tenha jogado tanto como gostaria e admite que subestimou a força da J-League. “O Japão foi fantástico, é uma cultura completamente diferente. Os japoneses são as melhores pessoas que conheci.”

Tahar acabaria por regressar a Portugal e ao Boavista, antes de rumar à Grécia, onde vive atualmente, como jogador do Panaitolikos.

Engraçado é que o plano inicial nunca foi fazer carreira no estrangeiro. Tendo em conta a riqueza da liga inglesa, é compreensível. Em 2016, Tahar tentou voltar a casa, fazendo a pré-época com o Barnsley. Falhou. Vai fazer 31 anos em outubro e aceita que provavelmente não vai voltar a jogar por um clube profissional inglês.

Em Portugal, conheceu Ederson e Casillas e não se esquece disso. Por onde passou, foi amealhando aquilo que poderá ser a sua reforma. “Falo com amigos que estão em pânico por causa de hipotecas das casas.” Por essas e por outras, Tahar não se arrepende das aventuras no estrangeiro. “As pessoas precisam de ver que há mais lá fora.”