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Nani sobre Ferguson: "Tinha medo dele. Como um pai, estás a entender?”

O português deu uma entrevista ao podcast do Manchester United e recordou o convívio com Alex Ferguson, incluindo o dia em que lhe deu boleia para casa

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ANDREW YATES

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Nani regressou ao Manchester United, pelo menos ao podcast do clube, e recordou episódios marcantes da passagem por Old Trafford. Entre eles, está o dia em que deu boleia ao treinador, Sir Alex Ferguson, que era seu vizinho e não tinha carro. Nani ofereceu-se para, depois de um jogo, o levar a casa.

"Ele era meu vizinho e íamos os dois para Londres de comboio. A mulher deixava-o na estação, mas houve um dia em que ele não tinha como ir da estação para casa e eu disse-lhe 'OK, não se preocupe, eu levo-o'. Mas aquele dia... Eu levei-o a casa depois do jogo com o Fulham fora..."

Nesse jogo, Nani até jogou “inacreditavelmente bem, estava com confiança”. “Ganhámos um penálti e era o Ryan Giggs quem marcava os penáltis. Só que eu sentia-me com confiança e o Giggs não disse nada. Marquei o penálti, mas falhei; se tivesse marcado tínhamos ganho por 3-2," lamenta o português.

No carro, o ambiente não era o melhor. "Levei-o a casa mas ele não me falou.” Mais tarde, no balneário, rebentou. “Ele disse: 'Nani, quem pensas que és? Quem te deu autorização para marcares o penálti?'"

Nani não tem problemas em admitir que, a princípio, sentia-se intimidado pelo treinador. "Tinha medo dele. Como um pai, estás a entender? Tinha medo de cometer um erro ou fazer algo de mal porque não era fácil interagir com ele. Via-o falar com os outros jogadores, eu queria ambientar-me mas pensava 'o que vou eu dizer?' Tive medo dele até aprender a expressar-me melhor."

"O meu inglês nunca foi perfeito nem nunca será, mas naquela altura era bem pior do que é agora. Mas quando ele percebeu que eu já conseguia falar mais, vinha ter comigo e dava-me mais atenção. A partir daí aprendi mais sobre Sir Alex Ferguson, o que ele queria fazer, quem ele era... A nossa relação melhorou muito", admitiu Nani.

"É um treinador que sabe gerir pessoas com diferentes personalidades e diferentes idades. Eu na altura não era uma pessoa fácil, era jovem, mas aprendi e mudei muito com ele. A vida é assim, é preciso aprender," conclui o ex-jogador dos Red Devils.