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Darron Gibson ia ser o próximo Paul Scholes mas depois a vida deu uma volta. Ou vários tombos

Foi elogiado por Alex Ferguson, ganhou a Premier League pelo Manchester United e marcou ao Bayern. Em dez anos, passou de promessa a dispensado de uma equipa da quarta divisão

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John Peters

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Darron Gibson chegou a levantar o troféu da Premier League ao lado de Ryan Giggs e Paul Scholes, no Manchester United. Alguns anos mais tarde, foram eles que lhe pagaram o ordenado na quarta divisão.

Agora, os antigos colegas de equipa decidiram, enquanto donos do Salford City, modesto clube dos arredores de Manchester, abrir-lhe a porta de saída, não prolongando o seu contrato de seis meses depois de os clubes da League Two terem votado o encerramento da época devido à pandemia.

Gibson enfrenta agora a hipótese de ir para uma equipa amadora, a não ser que consiga conversar outro clube a dar-lhe uma hipótese.

Não haja dúvidas. Darron Gibson é o mesmo jogador que deixou uma forte impressão quando chegou à equipa do Manchester United, apadrinhado por Alex Ferguson. A estreia foi em 2005, num jogo da Taça da Liga frente ao Barnet. No mesmo ano, recebeu o prémio Jimmy Murphy para jogador jovem do ano. Tudo parecia bem encaminhado para o irlandês.

Gibson rapidamente cimentou um lugar no grupo. Gary Neville, que também tem uma parte do Salford City, defendeu-o e aos outros jovens, após um jogo ganho por 2-0 frente ao Tottenham, em 2009, em que os dois golos foram marcados por Gibson.

“Eles não são miúdos. São jogadores experientes e estão na equipa por mérito próprio. Algumas das críticas são injustas mas jogar pelo Manchester United é assim.”

Darron Gibson terá tido o seu momento de glória mais contundente quando marcou frente ao Bayern Munique nos quartos de final da Liga dos Campeões, em 2010/11. Depois dessa partida, Ferguson afirmou que Gibson poderia tornar-se o próximo Paul Scholes.

Aos 24 anos, uma lesão atrasou-lhe a carreira. Queria jogar regularmente e a competição em Old Trafford era forte. O grande amigo Wayne Rooney terá sido fundamental na ida de Gibson para o Everton, onde jogou durante cinco anos. Foi treinado por David Moyes, Roberto Martinez e Ronald Koeman, perdendo protagonismo a cada mudança de treinador.

Em setembro de 2015, o irlandês foi impedido de conduzir durante 20 meses e sentenciado a 12 meses de trabalho comunitário depois de admitir ter conduzido embriagado e não ter parado o carro depois de ter abalroado três ciclistas.

Em 2017, mudou-se para o Sunderland, onde reencontrou David Moyes. A boa relação entre jogador e técnico não impediu a descida de divisão. Tudo começou a desmoronar-se, em campo como fora dele.

Horas depois de uma pesada derrota por 5-0 num amigável de pré-época, Gibson foi filmado a dizer que a sua equipa era “uma merda”, e que os colegas de equipa “não queriam saber”. Entretanto, numa série da Netflix sobre o Sunderland, Gibson admitiu ter-se arrependido dessas declarações.

Menos de um ano mais tarde, depois de o irlandês se ter declarado culpado de três crimes de condução sob efeito do álcool, o clube do Nordeste inglês terminou o contrato com Gibson.

O tempo em que era visto como herdeiro de Scholes parecia cada vez mais longe. Foi o Wigan que resolveu dar-lhe uma hipótese. Mas após 18 jogos pelo clube do Norte de Inglaterra, Gibson foi dispensado com cinco outros colegas.

Darron Gibson esteve seis meses sem clube, até que algumas caras familiares resolveram dar-lhe a mão e uma hipótese na League Two. Após assinar um contrato de seis meses, Gibson afirmou: “Estou ansioso, é um novo desafio”.

O Salford estava na primeira metade da tabela, a lutar pela promoção à League One, quando a época foi interrompida devido à Covid-19. O internacional pela República da Irlanda jogou apenas quatro vezes pelo pequeno clube até ser dispensado.