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A tenista Jo Konta pergunta: “Valemos menos do que os homens?”

A atleta britânica apoia a ideia de fundir ATP e WTA, como propôs Federer, mas insiste que a igualdade tem de ser garantida

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Tom Jenkins

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A tenista britânica Jo Konta recebeu de braços abertos a proposta de Roger Federer para unir as competições masculina e feminina de ténis, mas insiste que tem de ser um “casamento igualitário”. O tenista suíço sugeriu que a crise da Covid-19 poderia ser uma oportunidade para reformular a modalidade e fundir os circuitos ATP e WTA.

Apesar do apoio de muitos, há também algumas dúvidas de que a proposta sobreviva. De acordo com o jornal inglês “Daily Mail”, haverá alguns jogadores, principalmente do quadro masculino, que temem ficar a perder em termos financeiros.

Konta tem alguma influência, sendo membro do conselho de jogadoras da WTA. A tenista alerta que existe a possibilidade de o jogo masculino absorver o das colegas.

“Não percebo como não seria um jogo de iguais. (…) Isso seria estarmos a dizer que valemos menos do que os nossos colegas homens? Teria de ser uma fusão de iguais porque é isso que somos,” afirmou.

A número 14 do ranking WTA lembrou que Federer, que tem o apoio de Rafael Nadal e Andy Murray, não foi o primeiro a sonhar com esta transformação na modalidade. “Billie Jean King já o tinha feito há muito tempo. (…) Mas ter o Roger a verbalizá-lo chamou a atenção para a questão”.

"Definitivamente penso que a longo prazo faz sentido haver apenas um tour, mas também acho que há muitas questões a resolver. Sei que vai haver muitas pessoas que não vão querer que aconteça, mas também muitos que dirão sim.”

“Penso que há um longo caminho entre dizer que isto é o que deveria acontecer e isto vai acontecer. Sou definitivamente a favor e acho que faz sentido. Acho que vamos ter de ver se as pessoas de fato são capazes de aceitá-lo,” diz a tenista. A oposição mais forte pode vir de alguns diretores de torneios e de jogadores do top 100 masculino para além dos que já amealharam alguns milhões.

Numa altura em que deveria estar em Paris, a preparar-se para o ponto alto da época de terra batida, a número um britânica limita-se a voltar aos treinos depois de um mês de paragem. Em vez de se preparar para o Open de França, onde há um ano atingiu as semifinais, Jo tem estado a ajustar-se, como todos, ao confinamento devido à Covid-19.

A sala do seu apartamento no Sul de Londres foi transformada num ginásio. Entretanto, também criou o Johanna Konta Podcast, em que conversa com amigos mais ou menos famosos.

Apesar de ter um lugar no conselho de jogadoras, Konta admite que pouco ou nada sabe sobre o regresso da competição. Fala-se da possibilidade de um evento apenas para atletas britânicos, para o qual se mostra disponível.

“Faz sentido que aconteça algo em solo nacional antes da retoma internacional porque a nossa liberdade de movimento vai ser a última coisa a voltar à normalidade. (…) Não ouvi nada específico mas se eu estiver em forma e pronta, penso que seria ótimo ter uma competição para jogar no meu país.”

Com os tours suspensos pelo menos até agosto, os próximos desenvolvimentos devem ser anunciados no mês que vem. Os treinos recomeçaram na sexta-feira, com todas as precauções, no National Tennis Centre.