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Aleksander Ceferin, presidente da UEFA: “O futebol não mudou depois da II Guerra Mundial ou da I e não vai mudar por causa de um vírus”

O presidente da UEFA está otimista, depois de ter tido noites sem dormir. O Euro-2020 será em 2021 e o mundo regressará ao que era antes da Covid-19. Mais difícil é a igualdade salarial entre homens e mulheres

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Lukas Schulze - UEFA

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Aleksander Ceferin, esloveno, presidente da UEFA, percebeu às 4h da manhã num dia do início de março, que o Euro-2020 ia ser adiado para 2021. A situação não está muito melhor, dois meses depois, mas Ceferin admite que tem dormido melhor. E deu uma entrevista ao jornal “Record”, da qual destacamos as partes mais significativas.

O momento em que decidiu o adiamento do Euro-2020

“Na primeira semana de março. Ainda não sabíamos se poderíamos jogar, mas como as ligas tiveram de parar, sabíamos que as ligas e os clubes teriam problemas terríveis se empurrássemos o Europeu. Depois de pensarmos muito, pensei que, primeiro de tudo, promovemos união ao mostrarmos que somos a entidade que governa e que nos preocupamos com todos eles, ao mesmo tempo que não podíamos permitir que fossem os governos a cancelar o Europeu. Tinha de ser uma decisão nossa!”

Não consegui dormir até às 4 da manhã e a essa hora tomei a decisão e depois dormi umas duas horas apenas.”

O futebol como dantes

“É uma situação séria, mas está a decrescer agora e somos cautelosos. Sabemos mais sobre o vírus e estou mais otimista. Não gosto das declarações apocalípticas de que temos de esperar pela segunda onda, terceira ou quinta. Pessoas que conhecemos provavelmente vão morrer um dia, mas temos de estar preocupados e assustados hoje? Não me parece. Estamos prontos e vamos seguir as recomendações, mas tenho a certeza de que o bom e velho futebol com adeptos vai voltar muito, muito brevemente. Não acho que nada vá mudar para sempre. É uma nova experiência e quando nos livrarmos deste maldito vírus as coisas vão voltar ao normal. O futebol não mudou depois da 2ª Guerra Mundial ou da 1ª e não vai mudar por causa de um vírus.”

Um mundial de clubes com 24 equipas

“Apareceu como um fundo que compraria a competição e que toda essa prova seria vendida. Não tínhamos nenhuma informação. Por agora, ainda não tenho muita, mas pelo que sei, o fundo foi embora e, para ser honesto, não sei em que direção essa ideia vai agora. Não a discutimos muito e espero que o façamos, mas no futuro. Nem sei quando o Mundial de Clubes é suposto acontecer. Nada que seja uma preocupação agora.”

O futuro do fair play financeiro

“Se não seguirem as regras vão ser sempre sancionados. Mas claro que estamos a analisar os relatórios dos especialistas para melhorar os nossos regulamentos e todos os regulamentos e leis de qualquer país têm de ser monitorizados em todas as alturas e, se necessário, adaptados aos novos tempos. Mas isto não vai acontecer já. Estamos a pensar modernizar e fazer algo sobre o equilíbrio competitivo. Estamos também a considerar algum tipo de imposto de luxo. Há muitas ideias, mas durante este período difícil parámos de pensar sobre as mudanças que podem vir no futuro. Agora temos de meter o navio na rota certa e estamos perto disso.”

Igualdade salarial para as mulheres no futebol

“Essa é que é a pergunta para um milhão de euros, não se o Europeu vai acontecer no próximo ano! Penso que é difícil porque há uma grande diferença na receita que o futebol masculino e o feminino geram. A UEFA está a investir muito no futebol feminino e estamos muito felizes com isso. O futebol feminino está a ganhar cada vez mais popularidade, mas em relação à igualdade salarial é muito difícil dizer algo neste momento.”

A ganância dos jogadores

“O mercado decide os preços e se eu ou tu recebermos uma oferta de 20 milhões por época, nenhum de nós vai dizer ‘não quero ser ganancioso, dá-me 200 mil’. Vamos ver se a resposta do mercado à crise faz os preços cair. Não é justo dizer que os jogadores são gananciosos. Eles trazem muita receita e o futebol é uma grande indústria que paga uma quantidade enorme de impostos. Os jogadores pagam muitos impostos, por isso ganância não é a palavra certa nem os clubes devem ser mais sábios porque o mercado decide os preços."