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Gareth Thomas tem VIH e sentiu-se “descontrolado” com a COVID-19. “Chorei muito, estava com muito medo e obcecado com as notícias”

Para o antigo jogador de râguebi, as palavras “vírus” e “doença”, repetidas na comunicação social, provocavam-lhe ansiedade no início da pandemia. Agora faz trabalho comunitário

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A lenda do râguebi galês, Gareth Thomas, admitiu os problemas mentais durante o confinamento provocado pela Covid-19. Lembre-se que o Reino Unido tem estato em confinamento desde março, com algumas das regras a serem ligeiramente aliviadas na semana passada.

Agora com 45 anos, o antigo capitão dos British and Irish Lions, foi o primeiro jogador de râguebi de primeira linha a assumir-se como homossexual, em 2009. Durante o período atual de isolamento, Thomas diz que se sentiu “asfixiado pela ansiedade” e “descontrolado”. “Chorei muito, estava muito ansioso, com muito medo, estava obcecado com as notícias,” admite.

Thomas revelou em setembro passado que tem HIV, admitindo agora que as palavras “vírus” e “doença” ainda são difíceis de ouvir e que o afeta o facto de serem tantas vezes pronunciadas na comunicação social ao longo do dia.

Em entrevista ao “The Jeremy Vine Show”, Thomas admitiu: “o início disto foi muito, muito difícil porque para mim a ansiedade é como a perda de controlo e traz uma enorme quantidade medo à minha vida. No início, não sentia que a minha vida estivesse sob o meu controlo. (…) Senti a pressão de preencher o tempo, ficar em forma ou ser um génio e fazer um puzzle ou aprender a fazer pão de banana e outras coisas que não faziam parte de mim. Isso foi um desafio e tinha saudades da minha família, por isso chorei muito”.

“Estava obcecado com as notícias e com saber mais sobre o coronavírus,” admite. “Eu sou alguém que vive com HIV, que é um vírus, e no entanto oiço alguém falar em doenças e essa palavra assusta-me.”

A antiga estrela do râguebi, que representou o País de Gales 100 vezes ao longo da carreira, acrescenta: “O que eu fiz agora foi sentir que criei o meu próprio ambiente confortável (…) Agora faço muito trabalho na comunidade, que ajuda outras pessoas e o que sentes dá um sentido à tua vida, porque estás a ajudar pessoas que estão em circunstâncias piores do que as tuas”.