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Solskjaer e a limpeza de balneário: “Prefiro ter um buraco na equipa do que um idiota no plantel”

O treinador norueguês do Manchester United tem vindo a lutar contra adversários visíveis e invisíveis para devolver a glória ao histórico clube. Não pode haver “agendas pessoais”, avisa Solskjaer

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Laurence Griffiths/Getty

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Ole Gunnar Solskjaer enalteceu o progresso conseguido pelos jogadores do Manchester United esta época mas avisou que as “agendas pessoais” não serão toleradas em Old Trafford.

O norueguês foi contratado pelo United em dezembro de 2018 e rapidamente começou a mudar a cultura do clube, dispensando Romelu Lukaku e Alexis Sanchez no passado verão. Agora, o treinador de 47 anos fala de forma positiva dos padrões que exige dos seus jogadores.

Numa entrevista a uma fanzine do clube, Solskjaer disse: “Prefiro ver um buraco na equipa do que um idiota. A personalidade é tão importante. Somos uma equipa num ambiente de equipa. (…) Queres que os jogadores tenham um pouco de ego mas eles têm se ser capazes de adaptar-se. (…) Em março de 2019, eles estavam física e mentalmente cansados e tínhamos lesões. Os jogadores começaram com pensamentos negativos, enquanto agora o pensamento é positivo.”

O norueguês prosseguiu: “Havia outras coisas de que eu não gostava o ano passado, algumas agendas pessoais, que não puderam ser resolvidas até ao verão. Haverá sempre jogadores que querem jogar mais no futebol mas, se uma equipa quiser ser bem-sucedida, então os jogadores têm de estar disponíveis em tempos diferentes. (…) Sinto que nesta equipa não há uma maçã podre”.

No início do reinado de Solskjaer, o United esteve 12 jogos sem perder na Premier League, mas os problemas reapareceram na primavera, após um surpreendente triunfo sobre o Paris Saint-Germain, na Liga dos Campeões. Os Red Devils perderam cinco dos últimos nove jogos do campeonato em 2018-19, com os jogadores a terem de enfrentar a ira dos adeptos após a derrota com o relegado Cardiff. Solskjaer diz que foi nessa altura que aprendeu mais sobre a equipa.

“Quando ganhas, tudo é fácil. É quando encontras tempos difíceis que podes ver quem queres e quem tem a mentalidade certa. Não vimos isso até depois de Paris, quando entrámos numa série menos boa. Foi aí que eu vi com quem podia construir uma equipa de sucesso e a longo prazo. Precisas de ter alguns egos no futebol, mas a equipa tem de estar em primeiro.”

No último verão, o norueguês despachou 19 jogadores. Lukaku foi para Milão por 60 milhões de libras e Sanchez juntou-se a ele por empréstimo. Chris Smalling e Matteo Darmian também foram para Itália. O primeiro para a Roma, por empréstimo, e o segundo para o Parma, por dois milhões de libras. Também Valencia e Herrera foram libertados e o antigo capitão Ashley Young também se juntou ao Inter em janeiro. Marcos Rojo, ex-Sporting, foi emprestado ao Estudiantes. Paul Pogba continua em Old Trafford, apesar dos pedidos de muitos adeptos para que o francês seja vendido.

Graeme Souness, antigo treinador do Benfica, é um dos maiores críticos de Pogba. Também Paul Ince, antiga estrela do futebol inglês, diz que “o seu comportamento prejudica o resto da equipa”.

As contratações de verão de Solskjaer incluíram alguns casos de grande sucesso. Harry Maguire, o defesa que custou 80 milhões de libras, já é capitão de equipa. Aaron Wan-Bissaka, que veio do Crystal Palace, tem sido elogiado, enquanto Daniel James, apesar de um pouco verde, tem mostrado pormenores muito promissores.

Em janeiro chegou Bruno Fernandes, com impacto imediato na equipa, tendo sido considerado pela lenda do clube Bryan Robson “o líder inspiracional por quem o United chorava nos últimos anos”. “Ele já mostrou capacidade de liderança e isso é algo que o Ole já mencionou.”

Robson prossegue: “O que eu gosto de ver quando ele está em campo é que, apesar de ser um jogador de ataque, o Bruno está sempre a olhar para trás, a puxar pelos companheiros. Está a dizer-lhes para entrarem e para se colocarem onde ele os quer, o que é ótimo”.

Os resultados têm variado em 2019-20 e Solskjaer vai sem dúvida promover mais alterações ao “ambiente de equipa” mas as vitórias impressionantes sobre o Chelsea ou o Manchester City representam luzes ao fundo do túnel. No caso de a época regressar depois da pandemia, o norueguês tem ainda a FA Cup e a Liga Europa para tentar ganhar.