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Jogador do Everton assume depressão: “Tinha vergonha da forma como as coisas corriam em campo, não queria ir a lado nenhum nem fazer nada"

Michael Keane, defesa do Everton, abriu-se para falar sobre os problemas mentais que tem tido ao longo da carreira. O inglês de 27 anos explicou por que é importante falar com alguém sobre o assunto

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Jogadores de futebol a passar por depressões, sempre terá havido. Ou, pelo menos, desde que a modalidade se tornou central na vida – e nas finanças – do mundo. A novidade será que, em vez de engolirem a doença em silêncio, os jogadores começam a falar sobre isso mais ou menos abertamente.

É o caso de Michael Keane, defesa do Everton, que contou à BBC que sofre de depressão. Keane é companheiro de equipa do português André Gomes, que teve também momentos difíceis quando estava no Barcelona. O internacional luso sofreu as consequências da pressão de querer corresponder.

Michael Keane contou à BBC que tinha vergonha dos seus desempenhos em campo. Por isso, escondia-se. "Não queria sair, não queria ver ninguém. Tinha vergonha da forma como as coisas corriam em campo, não queria ir a lado nenhum nem fazer nada", revelou.

Keane acabou por escolher a família como confidente, embora não tenha sido fácil. “Estava basicamente em lágrimas ao contar à minha família como me sentia. (…) Esse foi um momento muito importante, quando bati no fundo. Desde então, tenho melhorado com a ajuda da minha família e amigos e comecei a consultar um psicólogo do desporto.”

Os problemas de Keane começaram pouco depois de ele se ter juntado ao Everton, em 2017. A lesão sofrida num jogo da Taça da Liga, que o obrigou a ser suturado com oito pontos, não ajudou. Keane terminou esse jogo em campo e fez mais uns quantos de seguida, lidando com as dores através de injeções. A feria viria a infetar, obrigando-o a passar algum tempo no hospital.

“Na altura, só queria estar lá com os meus colegas de equipa, estávamos num período difícil,” admite Keane. “Não queria ser visto como alguém que atira a toalha ao chão, apesar de ter uma lesão válida, só queria estar lá, dar o meu melhor e tentar virar as coisas. Vendo agora, talvez não tenha seja a melhor decisão.”

Sem poder voltar atrás, Keane admite: “Acho que o principal é aprender com isso e depois aprender sobre a minha própria saúde mental e como posso lidar com isso avançando em frente”.

Atualmente, Keane colabora com a organização CALM, para encorajar outros a procurar ajuda se precisarem, considerando especialmente casos de jovens do sexo masculino. “Acho que é difícil quando nunca o fizeste, o orgulho pode fazer com que não o faças. (…) É completamente normal que o faças.”

O jogador de 27 anos termina com um apelo àqueles que permanecem em silêncio: “Peço-lhe, se estão a passar um mau bocado, que falem com alguém porque eu sei por experiência pessoal o quanto isso me ajudou”.