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Ainda sobre Michael Jordan: as histórias que ficaram de fora de “The Last Dance”

As histórias da carreira de Air Jordan não cabem todas numa série da Netflix. Da suite presidencial “roubada” ao treinador dos Knicks, ao trabalho a servir comida a outros miúdos, passando pelo empenho do pai em dar-lhe um lugar na equipa da universidade, eis material para uma nova temporada

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Tom Berg/Getty

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A série da Netflix sobre Michael Jordan dura 10 horas mas “The Last Dance” podia ter o dobro ou o triplo do tempo se incluísse todas as histórias à volta do antigo jogador da NBA. A verdade é que a série foca sobretudo a época de 1997/98, com os olhos do treinador Phil Jackson a orientarem o desenrolar dos acontecimentos na derradeira temporada de Jordan em Chicago.

No entanto, o jornal inglês “Daily Mail” garante que há muito mais dos tempos de liceu, da faculdade e dos Washington Wizards. Desde o emprego a servir comida e bebida aos outros miúdos ao episódio em que pôs o dono dos Miami Heat, Pat Riley, fora do seu quarto de hotel no Havai, a carreira de Jordan é um acumulador de coisas para contar.

O momento em que Jordan recebeu a merecida homenagem pelo NBA Hall of Fame, em 2009, foi dos mais emocionantes. Com a família e os antigos companheiros de equipa na assistência, a estrela do basquetebol teve mesmo de disfarçar uma ou duas lágrimas. Mas o discurso acabou por mostrar o feitio competitivo de Jordan, mais uma vez.

A antiga vedeta dos Bulls queixou-se dos preços dos bilhetes, acusou o treinador do liceu que não o escolheu para a equipa e até ironizou, agradecendo ao seu grande rival Isiah Thomas. Nem o diretor dos Chicago Bulls no tempo de Jordan, Jerry Krause, escapou.

Se o rosto de Michael Jordan é indissociável da equipa de Chicago, a verdade é que houve quem tentasse desviar o rumo da história. Em 1996, no início de mais um tricampeonato, os New York Knicks tentaram atrair Jordan para a cidade que nunca dorme. E a aposta era forte: em cima da mesa estaria uma proposta de um ano no valor de 25 milhões de dólares, um aumento de 653% sobre o que auferia em Chicago.

De acordo com outra história, Pat Riley, então treinador dos New York Knicks, estaria a relaxar num hotel de luxo no Havai quando lhe disseram que havia um problema. Estava tudo bem com a estadia mas iria ter de deixar a suite presidencial onde estava instalado. Estava a chegar um “convidado inesperado” e este teria de ficar naquela suite.

“Sr. Riley, tem de retirar as suas coisas, precisamos que deixe o quarto,” disse o gerente do hotel a Riley, de acordo com Jason Henir, realizador de “The Last Dance”. O treinador fez o que lhe disseram e voltou para a piscina. Enquanto recuperava do episódio insólito, olhou para a varanda da sua antiga suite e viu Michael Jordan a acenar-lhe com um ar vitorioso.

Segundo o próprio Jordan, mais tarde, Riley enfiou uma nota por baixo da porta da suite. Dizia: “Gostei da competição, parabéns mas vamo-nos ver novamente”.

Noutro tempo, quando Jordan ainda não era um fenómeno, Michael era um miúdo que nem sequer entrava nos escolhidos para a equipa de elite que iria estar presente num campo de férias. Depois de o treinador ter polido um pouco os números para que ele tivesse lugar no grupo, foi o dinheiro a trair as aspirações do jovem Michael Jordan.

No mesmo campo que Jordan, estavam Patrick Ewing ou Len Bias, mas foi Michael Jordan que dominou as atenções. Apesar das dificuldades financeiras que apenas lhe permitiam a estadia de uma semana, os organizadores imploraram-lhe que ficasse. Havia mais treinadores a querer observar o fenómeno mas os pais de Jordan disseram que não tinham possibilidades de pagar.

Os organizadores fizeram então uma proposta: “Nós pagamos a estadia dele desde que ele trabalhe na cozinha e sirva comida aos outros miúdos.” Assim, Jordan ganhou o prémio de melhor jogador do torneio ao mesmo tempo que servia às mesas, trabalhando para os jovens que derrotaria mais tarde em campo.

Os sacrifícios que o pai de Michael, James Jordan, fez pelo filho, bem como a sua morte trágica, tiveram a devida atenção dos produtores de “The Last Dance”. Mas há uma história que foi ignorada e que mostra o quão determinado James estava para que o filho conseguisse um lugar na equipa da Universidade da Carolina do Norte.

O treinador daquela universidade – então como agora – Roy Williams contou num programa de rádio como recebeu um presente inesperado da família Jordan. Aparentemente, o pai de Michael apareceu-lhe um dia à porta de casa com um fogão a lenha numa carrinha. Apesar das recusas de Williams, James Jordan insistiu. O fogão tinha sido feito por ele.

Apesar do lado altamente competitivo, Jordan era também muito respeitado. Os Miami Heat, entretanto comprados por Pat Riley, o mesmo da suite presidencial, retiraram da equipa o número 23, em homenagem a Michael. A verdade é que Jordan nunca jogou pela equipa da Flórida, mas a homenagem aconteceu quando ele defrontou os Heat pela última vez, ao serviço dos Washington Wizards.

Riley fez questão de dizer: “Em homenagem à tua grandeza e por tudo o que fizeste pelo basquetebol, por todos os fãs em todo o mundo, queremos honrar-te esta noite pendurando a tua camisola na arena American Airlines. És o maior”.