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“Apaixonou-se por Victoria e isso mudou tudo”: a história definitiva de Ferguson e Beckham que quebrou o Manchester United

O treinador escocês só tinha olhos para o futebol. O jogador inglês queria ser uma estrela dentro e fora do campo. E, para mal dos pecados de Ferguson, apaixonou-se por uma Spice Girl

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Tom Purslow

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Sir Alex Ferguson nunca escondeu que precisava de poder. David Beckham chegou como um desafio a essa necessidade. Quando Beckham saiu do Manchester United, em 2003, o Manchester United não era uma casa suficientemente grande para os dois. Depois do casamento de Becks com a Posh Spice, Victoria, a falta de espaço vital tornou-se ainda mais gritante – literalmente.

Aparentemente, segundo o jornal “Daily Mail”, Victoria não foi o único fator para a explosão. Beckham queria ter a sua marca, o seu departamento comercial e as massas a segui-lo. Apesar de habitualmente adaptável, Fergie teria mesmo de passar um mau bocado com isso. Beckham quase tinha substituído a Princesa Diana na adoração das multidões. Ferguson, nascido e criado em Glasgow, onde o futebol era a única obsessão, odiava o lado “showbiz”.

No dia em que Beckham faltou a um treino para cuidar de um filho doente, Ferguson exigiu saber por que não tinha sido a mãe a ficar em casa. Victoria estava fora do país, também tinha uma carreira internacional, mas David Beckham ficou fora do jogo seguinte, de qualquer forma.

Em fevereiro de 2003, Ferguson acusou Beckham de um erro no jogo da Taça de Inglaterra frente ao Arsenal. Não fazendo a coisa por menos, o treinador pontapeou uma chuteira que atingiu acidentalmente o jogador acima do olho. O departamento de relações públicas de Beckham fez tudo para que a imagem de David com os pontos na sobrancelha aparecesse em todos os jornais.

Ferguson admitiu que tinha perdido o controlo. “Eu disse à direção que o David tinha de sair,” admitiu mais tarde. Foi o culminar de vários incidentes relacionados com o mesmo tema: poder.

Apesar dos problemas, ao nível do futebol, Beckham admirava Fergie por acreditar na juventude e provar que era possível ganhar com jogadores jovens na equipa. Dentro do campo, a capacidade de trabalho de David era inegável. Era longe da relva que as coisas se complicavam, com constantes desafios à autoridade do treinador.

“Uma vez, num dia de folga, apanhei um voo para a Irlanda porque a Victoria estava lá. Não achei que fosse preciso dizer ao treinador,” contou Beckham. “Quando eu voltei, ele não falava comigo. Eu sabia que estava em maus lençóis.”

Alex Ferguson não conseguia compreender como é que alguém com o talento de Beckham podia comprometer a sua carreira porque se tinha apaixonado por uma estrela pop e queria ser uma celebridade mais do que ganhar troféus.

“Ele perdeu a oportunidade de ser um jogador do top absoluto,” afirmou Ferguson. “Ele queria desistir para ter uma nova carreira, um novo estilo de vida, o estrelato. Apaixonou-se por Victoria e isso mudou tudo.”

Em campo, a história sugere que o treinador tem alguma razão. Beckham tinha 28 anos quando deixou o United pelo Real Madrid, mas nunca mais foi o mesmo jogador. O sucesso promocional continuou, com as internacionalizações, a passagem pelo Los Angeles Galaxy, os períodos no AC Milan e no PSG, mas nunca mais foi visto como um jogador de classe mundial.

Ryan Giggs, que acompanhou Beckham no crescimento e afirmação no United mas, ao contrário do inglês, nunca deixou Old Trafford, reconhece que a relação entre Ferguson e Beckham não tinha remédio. “Discutiam todas as semanas e estava na altura de ambas as partes seguirem em frente.”

Depois do incidente da chuteira, muita gente em Old Trafford esperava que Ferguson tivesse de pedir desculpa ao capitão da seleção inglesa. Em vez disso, o treinador levantou a voz numa conferência de imprensa para dizer: “O balneário é sacrossanto. É 100% lealdade. Nunca poderá ser menos do que isso”.

No final dessa época, Beckham rumou a Madrid e, para o seu lugar, foi contratado um miúdo chamado Cristiano Ronaldo.

Ao longo dos anos, a relação entre Ferguson e Beckham acalmou. O antigo jogador diz mesmo: “Gostaria de pensar que sou um pouco mais sensato do que aos 21 anos. Certas decisões que tomei estavam erradas”.

Os dois homens estão hoje em dia unidos por uma outra causa: a UNICEF. Ambos são embaixadores daquela organização das Nações Unidas e o antigo treinador não poupa nos elogios ao ex-pupilo: “Ele é uma pessoa fantástica. Deixa-me orgulhoso”.