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“Há a ideia de que os jogadores estão protegidos, mas não estão mais do que os profissionais de saúde. E, no entanto, morrem médicos”

Vítor Oliveira, treinador do Gil Vicente e veterano do futebol português, deu uma entrevista ao jornal “A Bola” em que exprime a sua opinião sobre o campeonato do pós-confinamento

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HUGO DELGADO

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Vítor Oliveira, treinador do Gil Vicente, 9º classificado da Liga NOS, é a favor do regresso do futebol mas deixa críticas a quem o organiza. As hesitações e falta de esclarecimento quanto q questões como os estádios ou o número de substituições. O mais experiente dos treinadores da Primeira Liga aponta o dedo aos dirigentes que não conseguem “deixar de pensar no seu umbigo”. Tudo isto numa entrevista ao jornal “A Bola”, da qual destacamos as frases mais importantes.

O Gil Vicente do regresso

“Começámos a trabalhar dia 4 e até dia 20 foi treinar quase individualmente. Nesta fase, além dos condicionalismos, os jogadores nunca trabalham no limite. (…) Jogamos dia 3, são duas semanas de trabalho de conjunto depois de uma paragem que é quase o dobro das férias que os jogadores costumam ter. É muito pouco tempo. Estamos esperançados numa boa prestação mas, falando com sinceridade, não temos noção exata do momento de forma da equipa quando voltar a jogar. Até porque o estado de espírito nunca é o mesmo, até pelas muitas dúvidas ao longo deste processo.”

A Bundesliga como exemplo

“Nas segundas partes vimos jogadores que se arrastavam penosamente no campo. E logo na primeira jornada aconteceram várias lesões musculares. Algo que poder também acontecer no futebol português.”

Jogos sem público

“É horrível. Futebol é povo, futebol é adeptos, futebol é gente nas bancadas. Não sei se foi tudo feito para que pudéssemos ter alguns adeptos nas bancadas. Isto porque, por exemplo, os cinemas vão reabrir e não me parece que uma sala de cinema a 25 ou 50% seja mais segura do que um estádio a 20%. Para bem do futebol, a presença de público deveria ter sido pensada.”

Os profissionais mais protegidos

“As pessoas insistem nessa ideia de que os jogadores são os profissionais mais protegidos. Mas não estão mais protegidos do que os profissionais de saúde. E no entanto já morreram enfermeiros e médicos. Não é verdade que o jogador de futebol não corra riscos. (…) Noto que os jogadores não estão com medo.”

As cinco substituições

“Não percebem que estão a fazer os fortes ainda mais fortes. Quem tem plantéis mais fracos e desequilibrados terá dificuldade em fazer as cinco substituições, mantendo a qualidade da equipa. (…) Mais substituições vai acentuar o desequilíbrio entre as equipas e afetar a verdade desportiva. (…) Queremos a verdade desportiva? Mentira, não queremos nada. O que vai começar agora é o futebol-negócio e, se quiserem, o futebol-política.

A Liga deixou de fazer sentido

“Depois, vemos Liga e Federação completamente desunidas. Aliás, a funcionar da forma como funciona, a Liga já nem faz qualquer sentido. O presidente da Liga é desautorizado de todas as maneiras e a organização é comandada por três ou quatro clubes que funcionam apenas na defesa dos seus interesses.”