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Ainda falta mudar quase tudo. Só há duas mulheres no Top 100 dos desportistas mais bem pagos segundo a revista “Forbes”

Depois de ter apenas uma atleta em 2019, o ranking deste ano tem duas, ambas provenientes do ténis. A modalidade é, apesar de tudo, a mais equitativa

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TIMOTHY A. CLARY/Getty

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Está na altura da lista anual da revista “Forbes”, que mostra os atletas mais bem pagos do planeta. Este ano, o destaque vai para a presença de apenas duas mulheres nos 100 desportistas mais bem sucedidos financeiramente. Não que habitualmente sejam mais. Em 2019 havia apenas uma.

No lugar nº 33, surge uma veterana mais do que habituada a andar por este ranking. Serena Williams, 23 vezes vencedora de um Grand Slam, era a única representante feminina no top do ano passado. Desta feita, tem uma companheira na tabela, por sinal, mais bem classificada do que a norte-americana.

Chama-se Naomi Osaka, a superestrela japonesa que ajuda a posicionar o ténis como a única modalidade do setor feminino a conseguir entra na lista dos atletas mais ricos. Curiosamente, nos courts, foi precisamente contra Williams que Osaka começou a dar nas vistas, no controverso Open dos EUA de 2018. A japonesa foi mesmo nº1 do ranking WTA durante grande parte do ano passado, o que a ajudou a tornar-se a atleta feminina mais bem-paga. 3,4 milhões de dólares em prémios mais 34 milhões de dólares de patrocínios (Nike, Nissan, MasterCard, etc.).

Com apenas 22 anos, a nipónica surge no lugar 29 da lista da “Forbes”. De acordo com a publicação, Osaka é mesmo a mais bem paga em apenas um ano de sempre.

Não é surpreendente que as estrelas de ténis sejam as atletas a conseguir entrar no top 100. Desde os dias de Billie Jean King, o ténis tem sido o desporto-líder em termos de equidade. Mas mesmo com o seu recorde, Osaka ganhou quase três vezes menos do que o colega Roger Federer, o líder do ranking douradom que ganhou 106,3 milhões de dólares.

Tem sido difícil conseguir uma aproximação entre o que ganham os atletas femininos e masculinos. Isto apesar de se ter vindo a registar um interesse maior pelo desporto feminino, visível através das audiências nos média.

No caso de Osaka, a decisão de abdicar da possibilidade de competir pelos EUA – tem dupla nacionalidade – nos Jogos Olímpicos de Tóquio para abraçar a hipótese de representar o Japão fez disparar o seu valor-marca e transformá-la num ícone do marketing desportivo.