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Flamengo próximo de Bolsonaro acelera regresso do futebol. Os clubes rivais opõem-se ao comportamento da equipa de Jorge Jesus

Os treinos com bola regressaram contra as indicações das autoridades. Os dirigentes do clube reuniram-se em Brasília com o presidente brasileiro para definir o reatamento rápido dos campeonatos de futebol

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DANIEL RAMALHO

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O Flamengo de Jorge Jesus tem sido protagonista do futebol brasileiro. No entanto, nos últimos tempos, o clube do Rio de Janeiro tem ganho preponderância também fora das quatro linhas, nomeadamente com as suas posições relativamente à pandemia Covid-19.

Neste momento, segundo o jornal “A Bola”, o Flamengo é um dos poucos clubes favoráveis ao regresso do futebol. O Campeonato Carioca foi interrompido perto do fim de março e o Campeonato Brasileiro, inicialmente previsto para arrancar em maio, está suspenso por prazo indeterminado.

Os rivais Botafogo e Fluminense, por exemplo, têm uma posição diferente. O diretor executivo do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, lembrou o trágico episódio do incêndio na academia do Flamengo, em 2019, para sensibilizar o clube rival. “O Flamengo, que já passou por uma tragédia com a morte dos miúdos da formação, quer arriscar outra vez a vida dos atletas?”.

O Flamengo abriu as portas do centro de estágio para os jogadores no último dia 19 de maio, sem a autorização do governo do Rio de Janeiro. No dia seguinte, o plantel começou a treinar com bola, ao contrário do que pedia a prefeitura da cidade.

“Ninguém aqui respeita a prefeitura. Voltámos a treinar e nada aconteceu,” revelou ao jornal “A Bola” um membro da equipa.

Aparentemente, a postura do Flamengo está relacionada com posições políticas e uma ligação ao atual presidente do Brasil. Jair Bolsonaro tem uma relação próxima com a atual direção do Flamengo e é um fervoroso adepto do desconfinamento.

A proximidade foi visível numa reunião recente entre Bolsonaro e dirigentes do Flamengo, em Brasília. Sem máscaras de proteção e ignorando as normas de distanciamento social, os dirigentes cariocas e o presidente, que vestiu a camisola do Flamengo, almoçaram e discutiram algumas medidas para o regresso rápido do futebol.

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