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Hamilton perguntou a Toto Wolff: “Alguma vez pensaste no facto de seres branco? Eu preciso de pensar na minha cor todos os dias"

O hexacampeão do mundo de Fórmula 1 tem sido um crítico ativo do racismo, mostrando a sua raiva em relação à morte de George Floyd. O chefe de equipa da Mercedes confirma o ativismo de Hamilton e congratula-se com isso

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Robert Cianflone

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O chefe da equipa Mercedes, Toto Wolff, elogiou Lewis Hamilton enquanto embaixador da Fórmula 1 por falar sobre racismo. Wolff disse saber que as questões raciais são algo com que Hamilton sempre teve de lidar e que a morte de George Floyd, vítima de violência policial nos EUA mexeu muito com ele.

Hamilton tem estado ativo no Instagram nos últimos três dias. Primeiro, condenou os seus companheiros pelo silêncio sobre os eventos nos Estados Unidos e na terça-feira escreveu uma denúncia apaixonada do racismo, afirmando-se “enraivecido” após a morte de Floyd, Wolff disse que Hamilton, o único piloto negro na Fórmula 1, estava a fazer a diferença na luta contra a desigualdade racial.

“Todos temos o poder de mudar,” disse Wolff. “Por vezes, é preciso que haja eventos como os que ocorreram nos EUA há dias para despoletar uma onda massiva de apoio a qualquer minoria. É bom que o Lewis, como superestrela do desporto, fale sobre isso na nossa modalidade que é dominada por homens brancos.”

Wolff juntou-se à Mercedes em 2013, o mesmo ano em que Hamilton pilotou pela primeira vez para a equipa, e ambos construíram uma relação próxima. O alemão não ficou surpreendido quando o seu piloto veio a público denunciar o racismo.

“Sabemos que o Lewis é sempre um grande apoiante de quaisquer minorias,” disse Wolff. “Ele uma vez perguntou-me: ‘Alguma vez pensaste no facto de seres branco?’ Eu disse: ‘Não, nunca pensei nisso,’ e ele disse: “Eu preciso de pensar na minha cor todos os dias porque as pessoas me lembram disso.’”

Hamilton ganhou seis campeonatos do mundo de Fórmula 1, cinco dos quais com a Mercedes, mas ainda não assinou um novo contrato para lá desta época. Wolff disse que as conversas iriam começar quando as corridas voltassem em julho e que não haveria problemas em assegurar um novo acordo. O líder da Mercedes disse também que não descarta Sebastian Vettel, cujo contrato com a Ferrari termina este ano.