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Antigo jogador inglês escreve carta a Donald Trump: “Sei que este é um tempo complicado para si, entre partidas de golfe e tweets, mas...”

Liam Rosenior, que passou como jogador pelo Brighton entre 2015 e 2018 e atualmente treina o Derby County, publicou no jornal “The Guardian” uma longa carta de agradecimento ao presidente americano. “O senhor espelha as visões e a ideologia de um grupo de pessoas que temos e vamos ultrapassar”

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Barrington Coombs - PA Images

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Liam Rosenior não é propriamente um nome conhecido do futebol inglês. Teve uma carreira mediana, com apenas uma época na Premier League, em 2017/18, quando representava o Brighton. Atualmente aos comandos do Derby County, da segunda divisão inglesa, tornou-se mais conhecido agora, depois de ter escrito uma carta aberta ao presidente dos EUA, Donald Trump, documento que o jornal “The Guardian” publicou na íntegra.

O antigo jogador começa num tom irónico: “Sei que este é um tempo complicado para si, entre partidas de golfe e tweets, mas espero que possa ser motivado por uma rara e bem-vinda carta de um homem negro num momento tão inconveniente da história dos Estados Unidos”.

Rosenior mantém a ironia, citando Trump quando este chamou “animais” aos protestantes, afinal trata-se de “uma coisa tão mesquinha e pouco importante como a justiça e os direitos humanos para os negros e para quem, por razões ridículas, parece estar descontente com a polícia”. O inglês chega a agradecer “o excelente trabalho” do líder americano.

“Tenho a certeza de que alguém com o seu vasto intelecto pensa que o meu pensamento contém um pouco de sarcasmo mas (…) o senhor tornou-se o mais influente presidente dos EUA na história desse grande país por todas as razões erradas,” prossegue Rosenior. “Obrigado por ser tão aberto e frontal na sua atitude maldosa e na falta de preocupação com a população negra à qual preside. Obrigado (…) por fingir que sente alguma empatia por qualquer pessoa que não se pareça consigo ou que não partilhe a sua visão antiquada, desgraçada e perturbadora sobre a sociedade.”

Segundo Liam Rosenior, Donald Trump merece um agradecimento também por ter “mostrado a todos que qualquer um pode ser presidente”. O inglês diz que o político “inspirou as pessoas para uma mudança duradoura e não apenas um protesto pacífico apoiado por alguns cliques nas redes sociais” e previne Trump de que “isto é apenas o princípio”.

Liam Rosenior lembra a história da América, a herança de “centenas de anos” aceite por pessoas “racistas, odiosas e violentas, que não apenas votaram em si” sustentadas numa “sociedade corrupta e fundamentalmente preconceituosa (…) construída a partir do genocídio dos povos nativos e da escravidão e encarceramento de milhões de pessoas negras”.

O antigo futebolista refere os líderes americanos anteriores a Trump, “que fizeram vista grossa, (…) demasiado ocupados a cumprir os desejos de empresas corruptas que os tinham colocado no poder”. “Através do seu ódio aberto, indiferença e desconsideração para com um povo subjugado por abusos físicos, económicos e emocionais ao longo de mais de 400 anos, conseguiu criar um movimento em que um número crescente de pessoas de todos os credos e cores à volta do mundo discutem e debatem a forma mais construtiva de lutar juntos. (…) Mas os protestos não são suficientes.”

Rosenior diz a Donald Trump: “O senhor é o lobo em pele de lobo de que precisamos há anos em vez dos seus predecessores vestidos de carneiros. O senhor é a razão por que as minhas filhas, que são cidadãs americanas, me perguntam porque é que o presidente odeia as pessoas negras”.

Quase no fim da carta, o britânico agrade ainda o facto de Trump ser “o catalisador para as nossas gerações futuras para criar mudança duradoura, não apenas no seu país corrompido mas em países por tudo o mundo, incluindo o Reino Unido”. “O senhor espelha as visões e a ideologia de um grupo de pessoas que temos e vamos ultrapassar.”