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Ruud Gullit recorda a saída do Chelsea e a traição do amigo: “Ser despedido foi uma experiência terrível mas o pior foi o que Gwyn me fez”

O antigo treinador do Chelsea nunca perdoou ao adjunto que o levou a jogar golfe enquanto a direção preparava o seu despedimento

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Owen Humphreys - PA Images

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Ruud Gullit, antiga estrela da seleção holandesa, foi também jogador e treinador do Chelsea, antes do clube de Londres recuperar a glória com Mourinho. Como técnico, Gullit acabou a ser despedido no que foi considerado “um choque” na altura. Até hoje, o holandês nunca perdoou um gesto a um dos seus assistentes.

Foi há 25 anos que Gullit chegou a Stamford Bridge como jogador, vindo de Itália, onde tinha jogado pelo AC Milan e pela Sampdoria, para jogar sob o comando de Glenn Hoddle. Acabou por ficar apenas um ano nos Blues enquanto jogador, pelo menos em exclusivo. No ano seguinte, Hoddle saiu do clube para ser selecionador de Inglaterra e Gullit assumiu o cargo de jogador-treinador.

Aos 33 anos, o holandês teve então a primeira experiência a orientar uma equipa. Gullit levou o Chelsea ao sexto lugar da Premier League e venceu a Taça de Inglaterra. Foi ele quem contratou Gianfranco Zola, o italiano que iria tornar-se histórico no clube de Londres. Para além dele, vieram também Vialli, di Matteo ou Frank Leboeuf.

Em fevereiro de 1998, na segunda época de Gullit aos comandos, o Chelsea ocupava o segundo lugar da tabela e estava nos quartos de final da Taça das Taças. No entanto, as coisas azedaram depressa quando, inesperadamente, o holandês foi despedido, com suspeitas de que as exigências financeiras de Gullit estariam por trás da decisão.

Ainda hoje a acusação é rejeitada por Ruud Gullit. E houve uma pessoa envolvida no processo de despedimento que o antigo craque nunca esqueceu: Gwyn Williams, um dos seus adjuntos e “amigo próximo”. Num artigo que o próprio Gullit escreveu para o site da BBC, o holandês conta que estava prestes a contratar Jaap Stam e Brian Laudrup, mas Williams impediu o negócio para fazer com que o Chelsea se livrasse dele.

“Um dia antes de eu ser despedido, estava a jogar golfe com um dos meus adjuntos, Gwyn Williams, e alguns jogadores. (…) Estava a tentar contactar Laudrup mas não conseguia, o que era estranho. Acontece que Gwyn, que era um dos meus amigos mais próximos e me tinha ajudado muito, sabia exatamente o que estava a acontecer e que eles me iam despedir. Ele estava a jogar golfe comigo apenas para me manter afastado, para assegurar-se de que eu não iria a nenhum dos sítios onde Laudrup pudesse estar.”

O holandês prossegue: “Ser despedido foi uma experiência terrível (…) mas o pior foi o que Gwyn me fez. (…) Podia ter-me dito para ter cuidado porque algo estava a passar-se. Foi a pior coisas que alguém me fez, na minha carreira e na minha vida”.

Gullit acabou por rumar a norte, para treinar o Newcastle, mas uma relação difícil com as estrelas da equipa Alan Shearer e Rob Lee fez com que não ficasse lá muito tempo.

Quanto a Williams, ficou 27 anos em Stamford Bridge, desempenhando vários papéis até ser contratado pelo Leeds United como diretor técnico, em 2006.