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A US Soccer deve autorizar que os seus atletas se ajoelhem durante o hino em protesto contra a violência policial - como fez Rapinoe em 2017

A forma de protesto começou na NFL, mas a capitã da seleção americana de futebol, Megan Rapinoe, repetiu o gesto e ajudou a torna-lo famoso pelo mundo fora. Depois de proibir que as jogadoras e os jogadores se ajoelhassem durante a cerimónia do hino, a Federação de Futebol dos EUA pode agora voltar atrás

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Kevin C. Cox

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Ajoelhar-se enquanto toca o hino nacional tem sido um tópico de discussão ao longo de anos, mas a morte de George Floyd e os protestos que se seguiram trouxeram de volta o debate.

Os jogadores da NFL, cujo exemplo veio de Colin Kaepernick, dos San Francisco 49ers, discutiram a possibilidade dessa forma de protesto quando começar a época, no outono de 2020. Agora, a Federação de Futebol dos EUA está a considerar autorizar esse tipo de manifestação, caso as seleções feminina e masculina decidam fazê-lo.

O órgão coordenador das equipas nacionais tinha instituído a proibição de ajoelhar durante o hino, em 2017. A decisão foi a resposta a Megan Rapinoe, capitã da seleção americana de futebol, que se tinha ajoelhado em solidariedade com Kaepernick, apoiando o movimento contra a brutalidade policial.

A avançada de cabelo cor de rosa, que fez as manchetes em 2019 depois de prometer que não ia “à m**** da Casa Branca” e consequentemente entrar em diálogo com Donald Trump nas redes sociais, ajoelhou-se quando o hino nacional tocou antes de um jogo com a Tailândia. Rapinoe fez o mesmo antes de um jogo do seu clube, OL Reign.

Mas depois a US Soccer instituiu a regra 604-1, que obrigava todas as pessoas que representassem a seleção nacional a ficar de pé, respeitosamente, durante a cerimónia dos hinos em qualquer evento em que a federação esteja representada.

A discussão parecia ter ficado por aí mas a morte trágica de Floyd originou o ressurgimento do movimento contra a brutalidade policial. Quando Kaepernick se ajoelhou em 2016, o jogador de futebol americano disse que o seu objetivo era chamar a atenção para o número desproporcional de mortes de homens negros às mãos de agentes da polícia. Com o caso Floyd, o movimento iniciado por Kaepernick parece ter ganho uma nova vida na NFL e não só.

De acordo com a ESPN, a presidente da Federação de Futebol dos EUA, Cindy Parlow Cone, pediu com urgência à comissão executiva daquele órgão que considere revogar a sua posição oficial no que diz respeito aos jogadores e jogadoras poderem ajoelhar-se durante o hino. No caso de ser aprovada, a medida tem efeitos imediatos, o que autorizaria protestos como o de Megan Rapinoe.