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No Sporting, Ricardo Pereira foi alvo de discriminação racial por parte da mãe de um adversário, “nada de muito sério”

O lateral português do Leicester deu uma entrevista ao jornal inglês “The Guardian” e fala da dispensa do Sporting, quando era pequeno, do racismo no futebol e das esperanças de agarrar um lugar na seleção

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Ricardo Pereira diz que foi apenas uma vez e que era miúdo, recordando uma situação de discriminação racial. “Eu estava no Sporting mas não foi nada de muito sério. Fiquei um pouco chocado porque era novo mas é algo com que aprendes a lidar.”

A autora do abuso foi a mãe de um dos seus adversários. “Por vezes as pessoas pensam que podes fazer o que quiseres no futebol mas há limites,” diz. “Não sabem como a pessoa com a qual estão a ser racistas se vai sentir. (…) Temos de lutar contra o racismo e todo o tipo de discriminação.”

O “The Guardian” refere-o como “um dos melhores defesas da Premier League”. Ricardo nasceu em Lisboa, há 26 anos, e chegou a ser dispensado pelo Sporting, clube da adolescência. Mas isso foi há muito tempo, muito antes de ser eleito jogador da época pelos adeptos do Leicester, para onde se mudou em 2018, proveniente do Nice. No último jogo antes do confinamento, sofreu uma lesão grave, que o deixou frustrado.

Sobre a dispensa pelo Sporting, na juventude, Ricardo diz: “É duro quando és um miúdo e és rejeitado mas foi importante para mim experimentar coisas mais difíceis quando deixei o Sporting. Quando me juntei ao Naval, o campo de treinos tinha menos opções do que eu estava habituado e isso foi motivador para mim, para voltar a jogar ao mais alto nível”.

Depois do clube da Figueira da Foz, vieram Vitória de Guimarães e FC Porto. No entanto, como lembra o “The Guardian”, Ricardo não conseguiu jogar regularmente nos Dragões e foi emprestado ao Nice, treinado por Claude Puel, futuro treinador do Leicester. Foi Puel quem o levou para Inglaterra, onde continuou a jogar com regularidade, mesmo depois da saída do francês e da chegada de Brendan Rodgers.

Em duas épocas, Ricardo Pereira marcou cinco golos e fez oito assistências. Esta época, leva mais 16 desarmes do que o seu rival mais próximo na Premier League.

Sobre o treinador Rodgers, Ricardo diz: “Notámos uma mudança de intensidade na primeira sessão de treinos e foi difícil no início porque não estávamos habituados. Mas semana após semana, melhorámos e foi bom ter sete ou oito jogos com ele na época passada para começarmos esta época conhecendo o treinador”.

Certo é que, devido à lesão, Ricardo não vai regressar tão depressa como a Premier League. O lisboeta insiste que é cedo para fazer previsões. Passou um mês em Portugal a recuperar e espera ficar em forma já em Inglaterra, para dar o seu contributo à equipa, mas sem precipitar as coisas.

“Na altura da lesão, achávamos que talvez pudesse jogar a partida seguinte frente ao Watford. (…) Por isso, quando o fisioterapeuta me ligou com os resultados do exame foi um choque…”

A pandemia fez com que Ricardo falhasse, até agora, apenas um jogo do Leicester, devendo ter também oportunidade de representar Portugal no Europeu, reagendado para o próximo ano. O “The Guardian” refere os concorrentes – João Cancelo, do Manchester City, e Nélson Semedo, do Barcelona – e diz que isso talvez justifique o facto de Ricardo ter apenas sete internacionalizações. "Tenho de trabalhar para ganhar o meu lugar na equipa.”

O português admite o sonho de alcançar bons resultados pelo Leicester, tendo ouvido as histórias contadas por Jamie Vardy e companhia sobre o “pequeno milagre” de 2016, quando o clube do centro de Inglaterra deixou o mundo de boca aberta e arrebatou o título. “Eles já chegaram ao paraíso. Claro que não foi fácil para eles e não está a ser fácil para nós. Estamos em boa posição. No início da época, o nosso objetivo era talvez terminar nos seis primeiros, por isso temos uma grande oportunidade de fazer algo bom. Temos de continuar para mantermos esta posição,” diz Ricardo.