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Porque é que Félix não rende? Nuno Gomes culpa o estilo do Atlético, Costinha diz que a liga espanhola é mais competitiva e Forlán desabafa

Aparentemente, os espanhóis estão frustrados com João Félix. Tanto que o jornal “Mundo Deportivo” comparou a versão “Atlético” do jovem português com a anterior, do “Benfica” e questionou se Félix merece a titularidade no Atlético de Madrid

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NurPhoto/Getty

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Simeone tem sido paciente com João Félix, porventura mais do que a comunicação social seria. Antes do jogo com o Maiorca, o técnico argentino disse: “Confiamos absolutamente na sua qualidade, no seu talento e na sua forma de jogar e necessitamos que reproduza isso em campo. Não nos detemos em individualidades, o objetivo da equipa e do clube é potenciar as individualidades para melhorar o coletivo”. Se a primeira parte era de apoio, a segunda era claramente um aviso.

De acordo com o diário desportivo espanhol, “não é o mesmo jogar no Benfica e no Atlético de Madrid”. “Não em termos de exigência, obviamente, porque a equipa encarnada, como os vermelhos e brancos, tem uma pressão enorme em cima de si para ganhar todos os jogos (…) mas o futebol luso não tem o mesmo nível que o espanhol.”

O “Mundo Deportivo” ouviu Nuno Gomes, que afirmou: “Muitos argumentam que o Atlético de Madrid não é a equipa ideal para as qualidades de João Félix, e estou de acordo. Por um lado, porque o vi jogar em equipas em que tinha mais contacto com a bola, em que o treinador privilegiava o ataque”.

Também Costinha, com ligações ao Atlético de Madrid no passado, afirmou que “em termos de adeptos, João Félix não deve encontrar algo muito diferente no Atlético em comparação com o Benfica”. “A diferença está relacionada com o nível de cada campeonato. A liga espanhola é muito mais competitiva que a portuguesa.”

Já Diego Forlán, antigo jogador do Manchester United e do Atlético, lembra que “os jogadores não são máquinas, necessitam de tempo para se adaptar e compreender o treinador e não é o mesmo jogar em Portugal ou em Espanha, tudo tem um processo”.

Segundo o “Mundo Deportivo”, baseando-se em dados da empresa SOFASCORE, de facto, João Félix contactava mais com a bola no Benfica, embora a diferença não seja significativa: 48 toques em média no Benfica contra 43 no Atlético. Em Espanha, Félix participa bastante menos nos golos da equipa e marca muito menos também, apesar de rematar mais em comparação com os seus tempos na Luz.

O jornal espanhol conclui que Félix “intervém mais ou menos o que intervinha no antigo clube, aumentou ligeiramente o trabalho defensivo, mas encontra rivais mais duros que o impedem de ter o nível que tinha no seu país”. O “MD” lembra que o internacional português “foi substituído mais vezes do que qualquer outro companheiro e que apenas completou seis das 34 partidas em que participou”.

O “Mundo Deportivo” fez também uma sondagem sobre a situação do jovem internacional português, com 70 por cento dos votantes a responderem que João Félix não justifica nesta altura o estatuto de titular indiscutível no Atlético Madrid.