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Bullying, atletas fechadas em armários, mãos em sangue. Federação britânica de ginástica investiga alegados abusos

Várias ginastas britânicas de elite relataram treinos violentos, insultos constantes e outros abusos, alguns deles cometidos quando eram crianças. O organismo que tutela a ginástica no Reino Unido mostra-se chocado e promete investigação independente

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Francesca Fox

Julian Finney

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A federação britânica de ginástica anunciou um inquérito independente sobre alegações “chocantes” de abusos físicos e emocionais cometidos sobre várias atletas de elite, incluindo insultos dirigidos a uma ginasta que esteve presente nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

Francesca Fox, que competiu como ginasta rítmica nas Olimpíadas de Londres, disse à cadeia de televisão ITV na terça-feira à noite que lhe chamavam constantemente “gorda” e diziam que “parecia um hipopótamo”. Isso fez com que Francesca se pesasse 10 vezes por dia.

Os seus comentários foram feitos um dia depois de outra antiga atleta olímpica, a ginasta Lisa Mason, ter dito que foi obrigada a treinar até que as suas mãos sangrassem. “Depois derramavam álcool sobre as minhas mãos.” Lisa contou que era colocado um material abrasivo sob os seus pés, quando se encontrava a treinar nas barras. Se se deixasse cair, “queimaria os meus pés”. “Mas todos o fazem, por isso achas que é normal,” admitiu Lisa.

Uma terceira ginasta de elite alegou ter sido fechada num armário pelo seu treinador quando tinha 10 anos. As ginastas que falaram receberam um grande apoio das colegas ainda no ativo. Becky Downie, medalha de prata nos campeonatos do mundo de 2019, foi uma delas. “É mais importante proteger as futuras gerações agora. Não me interpretem mal, este desporto é DURO e há muita coisa má com a qual tens de ligar mas HÁ UMA LINHA que foi ultrapassada demasiadas vezes,” escreveu Downie no Twitter.

Jane Allen, presidente da federação, admitiu que a simples existência de alegações mostra que muitas atletas sentiram que não podiam falar com as autoridades desportivas. “É claro que as ginastas não podiam levantar as suas questões e é vital que uma revisão independente nos ajude a compreender melhor porquê para que possamos remover quaisquer barreiras o mais rápido possível,” afirmou Allen.

A dirigente anunciou uma investigação independente aos casos relatados. “Os comportamentos de que temos ouvido falar nos últimos dias são completamente contrários aos nossos padrões de treino seguro e não têm lugar na nossa modalidade.”