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“É o meu dia-a-dia e isto é racismo”: defesa do Tottenham está farto de que a polícia o mande parar para saber se o carro é roubado

Danny Rose afirmou que é regularmente mandado parar pela polícia, quando segue ao volante do seu carro, e questionado de várias formas que não aconteceriam se ele fosse branco, explicando a sua revolta com o racismo no Reino Unido

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Serena Taylor

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O defesa inglês do Tottenham, Danny Rose, que passou a segunda metade da temporada emprestado ao Newcastle, tem sofrido abusos de âmbito racista em campo. Os episódios mais recentes aconteceram quando jogou pela seleção de Inglaterra no Montenegro, em março de 2019. O mesmo já tinha acontecido pela equipa sub-21 na Sérvia, em outubro de 2012. Depois do incidente de 2019, Rose disse que queria deixar de jogar futebol por estar exasperado com o racismo existente na modalidade.

Danny Rose contou entretanto outras experiências traumáticas na sua vida, desabafando que a primeira vez que a polícia o mandou parar foi aos 15 anos e que isso continua a acontecer aos 30. “Os meus amigos têm estado comigo quando acontece,” disse Rose ao podcast “Second Captain”. “A última vez foi a semana passada, quando eu vinha de casa da minha mãe. (…) A polícia apareceu com três carros e questionou-me. Disseram-me que tinham uma queixa de um carro que não estava a ser bem conduzido. Eu pensei: ‘E porquê o meu carro?’ Mostrei a minha identificação e eles fizeram-me o teste de alcoolémia. Quinze anos disto dentro e fora do campo e não há mudanças.”

Segundo Rose, ser parado pela polícia tornou-se regular. “De cada vez é: ‘Este carro foi roubado? Onde arranjaste este carro? O que estás aqui a fazer? Podes provar que compraste este carro?’.” Mesmo de comboio, os incidentes com a polícia acontecem. “Uma das últimas vezes que andei de comboio, entrei com os sacos e a funcionária disse: ‘Sabe que isto é a primeira classe?’ Eu disse: ‘Sim, e então?’ Eles pediram para ver o meu bilhete. (…) Duas pessoas brancas entraram a seguir a mim e eu perguntei: ‘Vai pedir para ver os bilhetes deles?’ e ela: ‘Não, não é preciso.’”

“Talvez as pessoas pensem que são coisas que acontecem mas para mim é racismo.” Rose confessou-se farto de racismo e tem dúvidas de que as coisas mudem. “Este é o meu dia-a-dia mas sinto-me embaraçado ao queixar-me depois do incidente na América em que um homem, um homem negro, perdeu a vida às mãos de pessoas que deveriam proteger e servir o povo,” disse Rose a propósito da morte de George Floyd.