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Violência sexual na patinagem francesa com “um número de casos sem equivalente no plano internacional”

Os testemunhos de várias patinadoras francesas no início do ano não tinham levantado mais do que a ponta do véu sobre as agressões sexuais cometidas na modalidade ao longo de várias décadas, de acordo com o jornal francês “Le Monde”.

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Hélène Godard, Anne Bruneteaux e Béatrice Dumur fizeram acusações contra antigos treinadores numa reportagem conduzida em janeiro pelo jornal “L’Équipe”. Depois, a antiga campeã Sarah Abitbol publicou um livro em que revela os serviços sexuais que um treinador a fez prestar.

A ministra francesa do desporto, Roxana Maracineanu, pediu em fevereiro à inspeção geral da educação e do desporto a abertura de um inquérito. O relatório entregue a 28 de julho é assustador. As audições e os testemunhos acusam mais de 20 treinadores, 12 deles por agressões sexuais, três deles já com cadastro e penas efetivas de prisão cumpridas.

Depois de ler o relatório, o ministério do desporto sublinha “um número de casos sem equivalente no plano internacional, revelador de práticas e de comportamentos que atravessaram gerações de treinadores das principais disciplinas da Federação Francesa de Desportos no Gelo, a patinagem artística e a dança no gelo”.

O ministério francês acusa diretamente a FFSG, dizendo que “a forte concentração de poderes (…) favoreceu uma forma de código de silêncio”. As acusações referem-se a um período em que o presidente da federação era Didier Gailhaguet, que ocupou o cargo a partir de 1998, com uma interrupção entre 2004 e 2007, até 8 de fevereiro deste ano.

Gailhaguet reagiu às acusações através de um comunicado dos seus advogados. Estes consideram que o relatório “não tem outro objetivo senão ratificar, a posteriori, uma alegada responsabilidade”. Eles acrescentam que “todas as iniciativas judiciais adequadas serão tomadas para contestar as conclusões de um relatório manipulado”.

A presidência da federação está agora nas mãos de uma ex-patinadora, Nathalie Péchalat, que não se mostrou surpreendida mas sim escandalizada com os resultados do relatório. “Eu sabia que havia algo que não funcionava. Mas não com esta amplitude. Sabia que, ao candidatar-me à presidência, não iria encontrar um mundo onde tudo corre bem.”