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Marega sobre o racismo: “Não é com slogans que as coisas podem mudar. É com atos”

O maliano teve uma época desportivamente feliz, apesar de um ou outro conflito em campo e, acima de tudo, apesar do incidente de Guimarães, que lhe marcou a temporada e o faz refletir sobre a forma certa de combater o racismo

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Octavio Passos/Getty

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Esta época, Moussa Marega deu que falar pelo que fez com a bola, em campo, pelo feitio complicado que o fez discutir com os colegas e lhe valeu alguns assobios à chegada ao Dragão mas, acima de tudo, pela atitude que tomou perante os insultos racistas que o público do Estádio D. Afonso Henriques – ainda havia público – lhe atirou. O maliano do FC Porto falou disso numa entrevista ao “Jornal de Notícias”.

A boa época do FC Porto

“Sabíamos que era uma época difícil, por causa das todas as críticas que recebemos e também pelo atraso pontual que tínhamos, mas nunca deixámos de estar concentrados e isso foi importante para conseguirmos chegar ao título. Estivemos unidos e concentrados. E fomos profissionais até ao fim.”

A quem não gosta do estilo de Marega

“Não tenho nada a dizer-lhes. É futebol, é o jogo. (…) Se a tua equipa joga bem e tu não marcas e não ganhas, não serve de nada jogar bem. Portanto, para mim, o importante é ser decisivo em termos estatísticos.”

O golo mais importante da época

“Foi o golo em Guimarães. Bem, depois sabem o que se passou... Mas penso que foi um golo importante.”

Mudar mentalidades depois de Guimarães

“A certas pessoas, o que se passou em Guimarães mudou-lhes a mentalidade, mas, à generalidade, não se sabe se mudou ou não, porque ainda não se conhece qualquer sanção. Não sei o que se passa. Já não se fala disso, mas o certo é que a partir do momento em que sucedeu, aquilo deu a volta ao mundo. Foi muito importante, porque se falou disso em todo o lado, mas não são as bandeirolas ou as t-shirts com slogans contra o racismo que vão mudar as coisas. Até agora, nada mudou. Pelo menos eu não recebi nenhuma notícia a esse respeito. Espero para ver.”

Marega como bandeira na luta contra o racismo

“Na altura do incidente, houve uma grande publicidade. Senti muita gente envolvida e comprometida. Senti o apoio das pessoas. Foi um choque verificar a forma impressionante como as coisas deram a volta ao mundo. E deu-me algum prazer saber que as pessoas consideram o incidente pior do que um insulto. Foi importante, mas não é com slogans que as coisas podem mudar. É com atos.”