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Fernando Santos: “Acredito que o Cristiano, se nada acontecer de alarmante, aos 39 anos ainda estará a jogar a alto nível"

O selecionador nacional vai anunciar a convocatória para dois jogos em setembro, a contar para a Liga das Nações. Dez meses depois, a equipa das quinas está de volta, e o seu comandante deu uma entrevista ao jornal “A Bola”

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TIAGO PETINGA

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Chegou a hora de a seleção nacional voltar a jogar. Na segunda-feira, dia 24, Fernando Santos vai anunciar a convocatória para os jogos com a Croácia, no Porto, e com a Suécia, fora, ambos a contar para a Liga das Nações. O jornal “A Bola” entrevistou o selecionador nacional. Eis alguns destaques.

Muito tempo sem jogar

“Não jogamos desde novembro de 2019! São dez meses. Nunca tinha estado tanto tempo sem jogo. Deveríamos ter feito neste período dez jogos.”

Aproveitar a Liga das Nações

“Vou ter de aproveitar agora esta oportunidade. (…) Queremos fazê-lo, porém, sem descurar o fundamental: somos o detentor do troféu, uma motivação, queremos ganhar. Mas também teremos de, já, começar a preparar de alguma forma o que será o próximo campeonato da Europa.”

Não abdicar de nada

“Vamos lutar na mesma para ganhar. Não abdico de nada. Nunca! (…) Vamos aproveitar ao máximo estas três janelas que teremos até final do ano para fazer tudo. Queremos fazer tudo bem. Ganhar e preparar.”

Informação sobre os jogadores em relação à Covid-19

“Sinceramente não faço ideia. Neste momento, não tenho nada disponível. (…) A conclusão a que chegávamos é que era necessário deixar cair critérios. Isto é, no passado, o primeiro critério para convocar era sempre a qualidade. Depois havia (…) o ritmo competitivo, a utilização nos clubes e por aí fora.”

Os jogadores que não conhecem a casa

“Os jogadores que não conhecem a casa nestas circunstâncias têm a porta um pouco mais fechada. Será uma convocatória pouco surpreendente. Em sentido contrário, isso também não quer dizer já que as próximas convocatórias implicarão as chamadas em simultâneo de muita gente nova, em ambiente de teste generalizado.”

Cristiano Ronaldo disponível

“Ele sempre esteve disponível. (…) Pode acontecer que até dia 24 haja algum jogador, por alguma razão, ou por mudanças – e foi o caso do Cristiano nessa altura – ou por outros temas, mudanças de treinador, não sei, (…) há várias situações que podem levar os jogadores a precisar de falar comigo.”

Renovou até 2024, Cristiano terá 39 anos. Será que ele ainda jogará?

“Vai depender essencialmente dele. (…) Se formos a avaliar pelo rendimento e se ele se mantiver assim, seguramente. (…) Não é apenas o plano físico, é também o mental. Vou dar o caso concreto do Ricardo Carvalho, lembrar-se-á que, ao terceiro jogo do Euro 2016, teve de parar. (…) Acrescentou-me que podia contar com ele, sim, mas que só o conseguiria noutro ritmo. Para isso é preciso capacidade e disponibilidade mental. (…) É preciso compreender se, numa determinada fase da carreira do Cristiano, (…) ele terá capacidade para ser suplente. Será isso bom para ele? Será isso bom para a equipa?”

“Eu acredito que o Cristiano, se nada acontecer de alarmante, aos 39 anos ainda estará a jogar a alto nível, talvez com uns ajustes a nível do treino. (…) Eu recordo-me de ter jogado com o Torres, que jogou até aos 42 anos, era meu colega de equipa no Estoril, na 1ª divisão. Se isto é possível em 1979, mais fácil será passados 41 anos.”

“Ele há de ter 50 anos e vai querer ganhar a jogar à bola na praia. Outra coisa é o cansaço mental, a alegria, o prazer de exercer a profissão. Isso não sei.”

Estádios sem público

“No futebol, os intérpretes precisam de público em igual medida, como atores ou músicos. (…) O futebol sem público não dá. Precisa do ambiente.”

A reabertura gradual aos adeptos

“Terá de acontecer. Caso contrário, o futebol não aguenta muito tempo. (…) Se não for possível encher o estádio, será possível permitir a entrada de alguns adeptos, mesmo com todas as margens de segurança e mais algumas.”

“Vi quatro jogos depois do confinamento, com estádios sem público, e achei mau até para os jogadores, decidi não ir mais, não conseguia, porque até ficava com má ideia dos jogadores.”

Os treinadores portugueses

“Preparamos bem [os jogos] mas somos caraterizados pela capacidade de mudar. É uma especialidade. Vejo poucos treinadores estrangeiros a fazer mudanças estratégicas durante o jogo.”