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Quem é Kathleen Krüger, a mulher mais poderosa do Bayern Munique?

Pendurou as botas aos 24 anos para assumir o cargo de team manager. Sobreviveu a vários treinadores, foi defendida pela maioria e até tentada a experimentar outras paragens, como com Pep Guardiola, que a quis no City

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Alexander Hassenstein

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Kathleen Krüger tem um cargo de topo num dos maiores clubes de futebol do mundo. Em 2009, a alemã tornou-se team manager e, algo que seria improvável, senão impossível no futebol português, foi resistindo a mudanças de treinadores e de diretores desportivos. Thomas Müller, estrela do clube e um dos capitães da equipa, disse ao jornal “Bild” que "é ela que mantém a equipa unida, não importa que problemas possamos encontrar".

Discreta, é a única não-jogadora a fazer parte do grupo de Whatsapp dos futebolistas do Bayern. Kathleen é informada através da aplicação mas acaba também por ler as piadas que os jogadores trocam entre eles. "Normalmente fico calada, mas também sorrio porque é óbvio que muitas das fotos e frases que eles enviam são engraçadas", admitiu à revista “51”, a publicação oficial do Bayern Munique, citada pelo “Diário de Notícias”.

Kathleen tem 34 anos e uma vida ligada ao desporto. Começou pelo karaté mas o futebol já a acompanhava na infância. Quando teve de escolher, preferiu a bola, por causa do "espírito de equipa". E, aos 18 anos, preferiu a equipa feminina do Bayern, deixando o Wacker Munique. O gigante bávaro era o seu clube do coração, cujos jogos via ao vivo com o pai e o irmão.

Enquanto construía uma carreira sólida, Kathleen decidiu mudar de prioridades e com apenas 24 anos terminou o percurso de futebolista. "Tinha pouco dinheiro no bolso apesar de tanto esforço,” diz. Foi então estudar gestão internacional ao mesmo tempo que ficou responsável pela logística da equipa feminina.

Em 2009, Christian Nerlinger era o diretor desportivo do Bayern Munique e precisava de um assistente. O presidente Uli Höness escolheu Kathleen, que aceitou. Daí até se tornar responsável máxima pela organização das viagens e de toda a logística da equipa foi um saltinho. Tudo o que for indispensável para o funcionamento da equipa passa por Kathleen, que está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana para responder "a todas as solicitações" dos futebolistas.

Quando, em 2012, Matthias Sammer assumiu o cargo de diretor desportivo, quis demiti-la. Mas Jupp Heynckes, então treinador dos bávaros, disse ao presidente: "Se a Kathleen for embora eu também vou". Para além do antigo treinador do Benfica, também Pep Guardiola mostrou a admiração por Kathleen e quis levá-la com ele para o Manchester City. Sem sucesso.

Em 2018, Niko Kovac assumiu o comando da equipa e quis que fosse Kathleen a coordenar a comunicação durante os jogos entre médicos e fisioterapeutas. Deixou por isso de ser tão discreta e agora é possível vê-la mais ativa junto do relvado. "Ela também entra na convocatória", segundo o atual treinador Hans Dieter-Flick.

"Por vezes, antes dos treinos, ficamos à conversa sobre assuntos particulares. Estou sempre disponível para ouvir todos os jogadores", admitiu Kathleen Krüger, que acaba por ser também confidente dos futebolistas.

Segundo o francês Franck Ribéry, lendário jogador do clube, Krüger é "uma mulher autoconfiante, independente e forte”. O jogador, que passou 12 anos no Bayern, afirmou, em 2017: "Somos muito privilegiados por tê-la connosco, porque sem ela, provavelmente, metade dos jogadores iria perder-se."