Tribuna Expresso

Perfil

Revista de Imprensa

O caso Neymar – Álvaro continua: ameaças de morte, acusações, comunicados e a palavra "racismo"

A equipa de Villas-Boas ganhou no Parque dos Príncipes mas a nobreza de gestos não imperou. A pega entre Neymar e o espanhol Álvaro foi protagonista, com as respetivas equipas a defenderem os seus jogadores de forma vigorosa. E o mundo a ver, momentaneamente distraído dos vírus

Carlos Luís Ramalhão

Anthony Dibon

Partilhar

André Villas-Boas pode sorrir porque venceu o poderoso Paris Saint-Germain em casa do adversário, algo que o Marselha não fazia há nove anos. Mas o protagonismo foi para dois jogadores, um deles já famoso, outro prestes a tornar-se e não pelas melhores razões. Neymar acusou o defesa espanhol Álvaro González de racismo e a comunicação social mordeu o isco, contando diferentes versões do incidente.

No Brasil, os média tenderam a defender o seu “menino”. O “Globoesporte” fez uma lista dos anteriores casos em que o espanhol já se vira envolvido, nomeadamente quando ainda jogava no país natal. “Álvaro González é reincidente em discussões ásperas dentro de campo. O espanhol de 30 anos já teve desavenças com dois ex-companheiros do brasileiro no Barcelona: Messi e Piqué,” faz questão de lembrar o site brasileiro.

Aparentemente, quando representava o Espanhol de Barcelona, González terá dito a Messi que ele era “muito baixinho”, ao que o argentino terá respondido “mas sou melhor jogador do que tu”. Duas temporadas depois, com a camisola do Villarreal, o atual jogador do Marselha foi expulso e pegou-se com Piqué, que estava no banco do Barcelona.

Em entrevista ao jornal espanhol “Marca”, Angloma, que vestiu as camisolas de PSG e Marselha, critica Neymar por não ter “uma atitude boa para o futebol”. “Não percebo o que faz Neymar. Creio que os jogadores do PSG perderam mal. E Neymar não tem uma boa atitude para o futebol”.

Defendido pelo clube, Neymar admite agora que lhe faltou “sabedoria” em campo, mas insiste que o adversário o insultou de forma racista e deve ser punido por isso. “Racismo não, ele pode dizer tudo mas racismo, não,” afirmou o brasileiro.

No Brasil, também o site “Veja” dá destaque às ocorrências, referindo o comunicado que o Marselha emitiu em defesa do seu jogador, que viu entretanto os seus contactos privados a circular nas redes sociais. “Álvaro González não é racista, demonstrou isso no seu comportamento diário desde que entrou para o clube, como já testemunharam os seus companheiros. (…) Essa polémica é séria e já tem consequências graves. O clube condena, assim, a divulgação dos números de telefone privados de Álvaro Gonzalez e seus familiares ontem à noite nos média e redes sociais brasileiras, dando origem a constantes assédios, incluindo ameaças de morte.”

Também o treinador do Marselha, André Vilas-Boas, se referiu ao caso: “Não há lugar para o racismo no futebol mas não penso que tenha sido esse o caso. Temos de ver melhor”.

Uma vitória histórica do conjunto proveniente do Sul de França que promete ficar ensombrada por um dos lados menos bonitos do futebol.