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Lewis Hamilton: “Quero que saibam que não vou parar de usar esta plataforma para dar visibilidade ao que penso estar certo”

O inglês afirmou que vai continuar a promover a sua mensagem antirracista e a chamar a atenção para incidentes de justiça racial depois de ter escapado à ação do órgão regulador da Fórmula 1 por causa da t-shirt que usou no Grande Prémio da Toscânia, no domingo passado

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Dan Istitene - Formula 1/Getty

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O campeão do mundo de F1 fez a sua declaração depois de ser claro que não está a ser investigado pela FIA por usar a t-shirt em memória de Breonna Taylor, vítima de violência policial nos EUA. O organismo regulador da Fórmula 1 está, no entanto, e de acordo com o jornal “The Guardian”, a rever as orientações que definem o que os pilotos podem ou não fazer antes e depois das corridas.

“Quero que saibam que não vou parar de usar esta plataforma para dar visibilidade ao que penso estar certo,” escreveu Hamilton no Instagram, na terça-feira. “Este é o momento para que todos nos juntemos e desafiemos o mundo a todos os níveis de injustiça, não apenas racial.”

Hamilton usou uma t-shirt com a mensagem: “Prendam os polícias que mataram Breonna Taylor” antes da corrida em Mugello. Breonna, de 26 anos, foi morta a tiro à porta de casa em março. O inglês usou a mensagem novamente no pódio e nas entrevistas após a corrida. “Eu queria usar a t-shirt e sensibilizar para o facto de as pessoas estarem a ser mortas na rua e à porta de casa. Eles estavam na casa errada e continuam em liberdade.”

Hamilton continua a ser o único piloto negro da Fórmula 1 e é também o único com uma legião de seguidores nos Estados Unidos. O inglês tem estado na frente, não só ao nível desportivo, mas também na pressão sobre a F1 para que esta adote uma postura antirracista e foi a sua condenação da morte de George Floyd que fez com que outros pilotos se juntassem a ele. Hamilton criou mesmo uma fundação para explorar formas de o desporto melhorar em termos de diversidade e tem sido evidente o seu apoio ao movimento Black Lives Matter.

O hexacampeão do mundo de F1 recebeu total apoio da sua equipa, a Mercedes. “Nós não estamos a trazer a política para a Fórmula 1, é de direitos humanos que se trata e para os quais estamos a consciencializar. Há uma grande diferença,” escreveu a marca alemã nas redes sociais. O líder da equipa, Toto Wolff, também apoiou Hamilton: “O que quer que ele faça, eu vou apoiá-lo”.

A Fórmula 1 tem um historial de aplicar castigos a quem promover mensagens políticas. Em 2006, os organizadores do Grande Prémio da Turquia foram multados em cinco milhões de dólares depois de o líder dos cipriotas turcos, Mehmet Ali Talat, ter entregue o troféu ao vencedor, sendo apresentado como “presidente da República Turca do Norte de Chipre”, um estado apenas reconhecido pela Turquia.