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Pinto da Costa diz que os políticos “caminham para ficar na história como os carrascos do desporto nacional”

O presidente do FC Porto faz duras críticas à classe política, que acusa de “ignorante e oportunista” e compara a ausência de público no desporto com o que se passa na tauromaquia, nos concertos ou em eventos de índole partidária

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JOSÉ COELHO

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No arranque da nova época desportiva, rodeada ainda de incertezas perante a pandemia que assola o mundo inteiro, Pinto da Costa, ao seu estilo, não se contém nas críticas ao poder político mas também à Direção Geral de Saúde.

No habitual editorial da revista do clube, o presidente do FC Porto refere que “não é possível esconder a desilusão pela aberração que continua a ser a ausência de público nas bancadas, uma decisão que prejudica todos: os adeptos, os jogadores, os clubes, o país no seu conjunto”.

Pinto da Costa vai mais longe e compara a situação de várias modalidades desportivas à que se vive na tauromaquia: “Enquanto no futebol, no andebol, no basquetebol, no hóquei em patins e no voleibol os eventos têm de ser realizados à porta fechada, (…) as praças de touros do Sul de Portugal estão quase cheias”. O dirigente portista fala ainda dos “concertos com plateias preenchidas”, das “iniciativas políticas dos partidos” e das “grandes cerimónias religiosas”.

O líder dos Dragões é, portanto, adepto do regresso do público às bancadas dos estádios e pavilhões, embora com medidas que protejam a saúde pública. Pinto da Costa chama às autoridades “ignorantes e oportunistas”, no que toca ao desporto. “Ignorantes porque não sabem reconhecer a importância social e económica de atividades que envolvem milhões de pessoas (…) que pagam muitos milhões de euros em impostos. (…) E são oportunistas porque há certos momentos em que nunca faltam,” explica Pinto da Costa, referindo as finais da Taça de Portugal ou os jogos da seleção.

O presidente do FC Porto termina o seu artigo de forma dramática: “Nos momentos difíceis, quando em causa pode estar a sobrevivência de centenas de clubes e a continuidade da prática desportiva por milhares de pessoas, fazem de conta que não é nada com eles e só agravam a asfixia que podiam mitigar. Caminham para ficar na história como os carrascos do desporto nacional”.