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Pela primeira vez, há uma equipa totalmente feminina em Le Mans, preparada para subir de nível

Calderón, Flörsch e Visser são os apelidos dos três pilotos da equipa Richard Mille. Ou seja, Tatiana, Sophia e Beitske, mulheres que querem entrar na história de uma das categorias mais prestigiadas do desporto automóvel mundial

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Tatiana Calderón

Mark Thompson

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Este fim de semana, pela primeira vez na história da prova, as 24 horas de Le Mans vão ter uma equipa totalmente feminina a competir na categoria LMP2, exclusiva para equipas privadas. É o resultado do trabalho da Comissão de Mulheres no Desporto Automóvel e de Richard Mille, presidente da Comissão de Resistência da FIA, o organismo responsável pelo automobilismo mundial.

A líder da Comissão de Mulheres no Desporto Automóvel é bem conhecida do público e uma vencedora de Le Mans, em 1975. Michèle Mouton afirmou que a participação da equipa feminina é “como um sonho”. “Temos trabalhado há muitos anos na comissão para envolver equipas e fabricantes e termos mulheres numa equipa de topo,” disse Mouton.

Tatiana Calderón, 27 anos, da Colômbia, Sophia Flörsch, 19 anos, da Alemanha, e Beitske Visser, 25 anos, dos Países Baixos, vão conduzir um Oreca 07-Gibson da equipa Richard Mille, gerida pela Signatech, que venceu na categoria LMP2 o ano passado.

“Sempre quisemos criar oportunidades iguais para as mulheres. Não queríamos que elas tentassem atingir o topo mas não tivessem a oportunidade de entrar numa equipa profissional,” disse Mouton.

Flörsch, Visser e Calderón fizeram parte de um programa de avaliação de mulheres piloto organizado pela Comissão de Mulheres no Desporto Automóvel, em Navarra, Espanha, em 2018. Foram avaliadas 15 concorrentes. Guiaram um Formula Renault 2.0 e um Porsche Cayman GT4.

“Estou muito grata ao Richard Mille, à Comissão de Mulheres no Desporto Automóvel da FIA e à Michèle por acreditar em mim e em nós,” disse Visser.

O projeto é também a concretização de um projeto de dois anos e meio de Amanda Mille, filha de Richard e coordenadora da equipa. “Só precisávamos de encontrar a equipa certa e as mulheres certas para pilotar, e agora conseguimos o melhor de tudo, tivemos sorte,” disse Amanda.

Haverá uma outra equipa 100% feminina a competir em Le Mans, mas na categoria LMGTEE, com Manuela Gostner, de Itália, Rachel Frey, da Suíça, e Michelle Gatting, da Dinamarca, ao volante. No ano passado, terminaram no 39º lugar da geral e tornaram-se a primeira equipa completamente feminina a terminar Le Mans desde 1977.